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ESCOLA MOTEL A alta rotatividade das Escolas Municipais é simplesmente uma manobra imoral. Os alunos desistem de estudar na 6ª, 7ª e 8ª série. No começo do ano, além do número de alunos das classe não ser os mesmos que consta nas listas das DREMS nunca termina o ano com as classes nem pela metade. Vão saindo aos montes empurrados para a rua de mil maneiras. A pressão sobre os alunos rebeldes e “difíceis” é tão grande que não tem como agüentar. Uma prática costumeira é enviar o aluno para os Conselhos Tutelares que são na maioria professores. Na primeira carraspana que a mãe leva, ela de livre e espontânea pressão permite que o filho deixe de estudar. Ela já é “orientada” na escola que Conselho Tutelar é um passo para a FEBEM. Essa é só uma modalidade. É o recurso pedagógico mais usado nas escolas. Aluno difícil, o Conselho Tutelar resolve. No ano seguinte a escola está cheia de novo, só os primeiros meses que são o suficiente para se cadastrar no MEC, receber verba gorda de tudo quanto é lado e leite para todo mundo. Em maio já acabou o sufoco. Salas vazias. Alguns alunos saem e já em seguida estão devidamente matriculados na escola do crime. Uma boa parte volta em outra escola porque eles e seus pais se iludem achando que na outra escola não tem pressão e nem perseguição. Só muda o perfume, um é ... cachorro, outro de galinha mas a .... é a mesma. O aluno transferido leva o currículo. São as malditas ocorrências registradas unilateralmente. Só registra o que o aluno falou e não o que ele ouviu. Só para dar uma pequena amostra. No ano passado, a EMEF Theodomiro Dias reprovou 30 alunos na 8ª série. Doze aceitaram a reprovação injusta. O resto está na rua, daqui a um ano os que não se perderam na vida, voltam conformados e passam a ser vaquinhas de presépio. Os anos sem escola lhes ensinou a falar “sim senhora, não senhora” para tudo o que as professoras querem. O Professor Paulo Freire dizia bem, quando colocou que a escola forma rebeldes e apáticos. Morreu Paulo Freire mas continuam vivas as escolas motéis, fabricando bandidos, conformados e distribuindo maus exemplos em alta rotatividade. São Paulo, 04 de Abril de 2001. Cremilda Estella Teixeira – 3742-3023. NAPA – Núcleo de Apoio a Pais e Alunos.
O BEIJA-MÃO Três adolescentes nos procuraram porque eles e suas mães procuravam vagas nas escolas estaduais desde Novembro. Um do 2º colegial, desistiu de estudar, foi para Campinas e voltou querendo uma vaga. O outro desistiu no meio do ano na Theodomiro Dias na 8ª série, vítima da escola motel. Foi para o supletivo pago e procura vaga no 1º colegial. O terceiro também vítima da pressão da Theodomiro Dias, desistiu na 8ª no meio do ano e não teve dinheiro para o supletivo, quer voltar na 8ª desde o começo. Os três querendo vaga na escola estadual D. Ana Rosa de Araújo ou Senador Adolfo Gordo. O da 8ª série argumenta que nessas escolas ele já vai direto para o colegial evitando assim o desespero da peregrinação atrás de vaga. Na Escola Ana Rosa os nomes ficaram na lista de espera sem nenhuma esperança. Aliás a escola nem atendeu mais nas nossas investidas. Fomos no Sen. Adolfo Gordo. De novo não, aliás a diretoria disse que tinha só 14 alunos numa classe de 1º colegial que ela redistribuiu nas outras, fechando a sala. Se a lista do 1º colegial do Ana Rosa de Araújo tem 45 alunos porque é que ela não abre mais uma sala? Porque ela não enviou para a escola vizinha Sen. Adolfo Gordo com salas de 14 alunos? Impossível questionar. As razões das diretoras de escola tem razão que a própria razão desconheceria para não dizer outra coisa. Ligamos e passamos fax para a Diretoria do Ensino, a prática é nossa velha conhecida. Enviou os alunos para uma escola longe, na divisa do Taboão da Serra, para dizer que vaga tem, são os alunos que estão escolhendo muito. Tentando na S. Educação no Setor de Atendimento à Comunidade. As duas funcionárias são nossas velhas conhecidas. Uma vez tivemos a tristeza de presenciar uma mãe de joelhos (de joelhos mesmo) pedindo uma vaga. Uma cena lamentável e patética, mas parece que as altas funcionárias gostam de ver gente de joelhos porque se recusam a receber pedidos nossos exigindo a presença das mães. Considerar que as mães trabalham ou não podem ir até lá elas não consideram. Não abrem mão da genuflexão e do beija mão, mas não resolvem os problemas das faltas de vagas. Elas ligam para a escola e se limitam a confirmar a negativa das diretoras. Se fosse para conseguir as tão esperadas vagas, acho que até seria possível as mães perder um dia, ir até a Secretaria de Educação no Setor de Atendimento à Comunidade, ajoelhar-se e beijar as mãos das duas. Sabemos do que a mãe é capaz para ajudar os filhos. Inconformados juntamos os documentos, cartas com todos os dados dos três alunos e assinadas, tentamos protocolar as denúncias em todas as instâncias da SEE. Não pudemos. O guarda chamou uma pessoa da Ouvidoria, passou-lhe a informação que queríamos protocolar documentos no Conselho, na Ouvidoria e para a Secretaria. Uma funcionária da ouvidoria nos atendeu, ficou com as cópias, devolvendo uma rubricada. Prometeu providência. Antes que chegássemos em casa alguém do telefone 258.1835 ligou para as três mães dizendo que era impossível arrumar as vagas. Só naquela escola na divisa do Taboão. Nos fez de bobos. Vai ver que faltou beija mão. Deveríamos ajoelhar, beijar a mão das duas do Serviço de Atendimento à Comunidade de todos da Ouvidoria e de todos da sala do 258.1835. Se fosse para resolver... Fazer tudo isso e prevalecer a decisão das escolas Ana Rosa e Adolfo Gordo, não vale o beija-mão. São Paulo, 04 de Abril de 2001. Cremilda Estella Teixeira – 3742-3023. NAPA – Núcleo de Apoio a Pais e Alunos.
PITÁGORAS NÃO SABIA DE NADA? Assistimos estarrecidas as cenas de violência nos presídios e a notícia de que são coordenados por criminosos do PCC. O mais lamentável foi o Senador Eduardo Suplicy se apresentar com membro da Comissão dos Direitos Humanos e falar como se fosse oposição. Temos o maior respeito pelo pessoal dos Direitos Humanos, mas o Senador parece que se esquece que é poder e marido da prefeita de São Paulo. É muito cômodo responsabilizar o sistema, a má distribuição de renda, é até chic, mas não é discurso para o marido da prefeita e Senador tido como reserva moral. Faça algo para prevenir os próximos 4 anos. É óbvio que os membros do PCC são pessoas extremamente talentosas inteligentes e que usam seus dotes para o mal. Foram mal canalizadas. Desses a gente não pode esperar mais nada. Só que estamos fabricando uma nova safra de futuros PCCs a cada ano. São os adolescentes, a maioria muito pobre sem perspectiva que ficam fora da escola, fora do ensino fundamental. São os rebeldes, os inteligentes, os difíceis que não aceitam os abusos cometidos pelos maus profissionais do ensino e não ficam feito robô amontoados quietinhos nas aulas vagas enquanto os professores faltam adoidado. Nós do NAPA, Núcleo de Apoio a Pais e Alunos denunciamos mas não temos o poder da caneta, questionamos o sistema cruel e o corporativismo imoral dos profissionais do ensino. Quem está no poder tem que resolver. Só para exemplificar, mais lembrando que isso ocorre de modo geral em toda São Paulo, a EMEF Theodomiro Dias no Butantã fechou o 2o. turno e no Supletivo a preferência é para alunos com mais de 35 anos. Adolescente fica de fora. O professor que dá aula a noite ganha 30% de adicional noturno, por que é que dão preferência a pessoas na faixa dos 40 que dão menos trabalho e são os conformados? Pelo menos conhecemos 5 casos de alunos que estão sem estudar a 8a. série porque são "difíceis". Não são viciados em droga, são questionadores. Se abrir vaga no curso noturno para adolescente da 6a. 7a. e 8a. vão lotar as salas. São aqueles que desistiram sob livre e espontânea pressão mas que voltariam. Porque não transferir o pessoal que já está aposentado ou que aceitariam o período da manhã por mil motivos e abrir vagas para os adolescentes que ainda não estão matriculados na escola do crime? Temos verbas, escolas, alunos e professores. Porque não fazer uma varredura nas escolas? Exigir que as EMEFs aceitem de volta os adolescentes que a intolerância e a impunidade expulsou? É só o SME querer e só a prefeita ordenar. Com uma só canetada ela pode diminuir pela metade a próxima safra de PCCs. Pitágoras não disse que se educássemos os jovens não precisaríamos punir os adultos? São Paulo, 20 de fevereiro de 2001 Cremilda Estella Teixeira - 3742 3023 NAPA - NÚCLEO DE APOIO A PAIS E ALUNOS
PARCERIA INFELIZ Toda vez que uma corporação interfere na disciplina da outra, uma está equivocada e a outra falida. A parceria da polícia militar com a escola do ensino fundamental é uma aberração. Com todo respeito que o NAPA tem pela gloriosa corporação da Polícia Militar, ela não está preparada para ajudar os educadores dentro das escolas. O policial passa por um treinamento duríssimo dentro dos quartéis antes de chegar nas ruas. Está preparado para combater o crime e toda vez que há um embate entre um policial e um bandido, o policial precisa ganhar nem que seja na bala porque se o policial perde, perde toda a sociedade. Na escola o aluno entra com uma carga de informação e seus valores nem sempre são os mesmos da professora. Pode haver uma troca saudável, um empate, a violência física só é usada quando acaba o argumento e o perdedor é tão frágil que não aceita que errar é aprender. Aí é que entra a proposta pedagógica. Educar é conduzir para o caminho do bem com dignidade e respeito. Revólver e cassetete jamais podem substituir um argumento sólido e amoroso. Querem ressuscitar a palmatória, substituir os grãos de milho pelo calibre 38 e a palmatória. Não vai dar certo. É uma parceria infeliz. Professor faz o curso específico para aprender a ensinar. Faz concurso para ser selecionado. Depois de concursado faz um número incalculável de cursos para se capacitar. Recentemente, soubemos que professores do Estado fazem cursos fora de São Paulo. Representantes da Educação em São Paulo foram assistir seminários em Paris! E precisam de ajuda da PM para manter a disciplina nas escolas? Nas escolas da prefeitura onde nossos filhos são do ensino fundamental (7 aos 14 anos) precisa de PM mais GCM para conter a onda de violência dentro das escolas? Violência que nada mais é do que o retrato da insatisfação dos alunos? A ausência de propostas pedagógicas adequadas? Um dos pontos críticos da educação é a dificuldade dos pais em destituir a professora do posto de heroína, de anjo, criatura extra terrena que tudo que fala e pensa é perfeito, verdade absoluta. Quando o professor do ensino público erra e comete uma violência contra um aluno, não temos a quem recorrer. Essa lição de arbitrariedade e impunidade o aluno aprende rapidinho e vai perdendo dentro das escolas as referências que nós os pais lhe damos. Repressão é o antônimo de educação. Educar é basicamente dar bom exemplo. Uma aula bem dada, um colo, um conselho sensato na hora certa dá mais resultado que uma surra de cassetete. Um dos argumentos é o de que existe traficante de droga infiltrado entre os alunos. Outro argumento é o de que a família é omissa ausente. O que professora mais gosta de fazer é desqualificar a família, mesmo a CNBB tendo colocado que a escola que não queremos é a que responsabiliza a família pelo seu fracasso. Considerando um aluno que a família não cuida, ele entra na escola com sete anos e com 11 está traficando e aliciando os colegas. Onde esteve a escola que espera esse aluno ficar viciado para depois chamar a polícia para ele? Não conhecemos nenhum caso de aluno traficando com 7 anos. É sempre por volta dos 12 e ainda assim é precoce. Dos 7 aos 11 são cinco anos, a professora não percebeu que seu comportamento se alterou? A mãe pode estar ausente o pai também mas ela não, ela esteve cara a cara com ele, anos a fio. "A solução é a policia". O adolescente normalmente é rebelde. É a fase da vida onde somos confusos e tentando nos afirmar como adultos. É comum um adolescente responder, retrucar. É aí onde entra o educador, para orientar, argumentar, seduzir. O mau educador se ofende, acha que foi desacatado, se nivela ao aluno. Claro que o aluno perde, sempre. A professora cheia de equívocos, orgulhosa e com complexo de autoridade exacerbada pela mediocridade chama o policial. É aí onde a escola se transforma no que nunca deveria ser para o aluno: situação de risco Claro que existe excelente educador que apesar da onda contra, vai sereno cumprindo sua missão nobilíssima. Não se vinga, é humilde e grande. Pena que o bom educador é assim só por conta do seu caráter, ninguém cobra nunca. Ter o filho com o bom professor não é mais do que um tenebroso jogo de azar. Do jeito que vai, nossos filhos estarão mais seguros na rua, se ele responder para um adulto que se acha autoridade ele pode responder e correr. Poder exercer o que a lei diz que é o direito dele opinião e expressão. Se a polícia chegar, ele pode correr, ou pode contar com uma testemunha a favor dele disposta a depor no distrito policial. Na escola é ele, o professor e o policial. Tudo que ele disser será desconsiderado e o professor como sempre, dono da verdade absoluta. O Deputado José Genuíno costuma dizer que a sujeira mal apurada que é jogada em baixo do tapete acaba apodrecendo e exalando mau cheiro. Ele está certo e no caso das escolas o mau cheiro vai exalar depressinha nessa parceria infeliz. Cremila Estella Teixeira - 3742 3023 NAPA - Núcleo de Apoio a Pais e Alunos
Estamos Indignados "Os pais precisam se indignar. É isso que falta" - foi a colocação da Secretária de Educação do Estado de São Paulo no programa "Roda Viva" da TV Cultura do dia 11 de dezembro. A Secretária admitiu que os professores faltam muito e que as aulas estão ficando cada vez piores. Que um processo administrativo, o mais simples, demora mais ou menos dois anos para concluir. Que existe todo um sentimento de corporativismo fazendo todos os professores se juntarem para proteger de denúncias os então denunciados. "O salário de um professor é bom, ele precisa dar aula, precisa ensinar. Se não ensinar direito, os pais que reclamem, que denunciem". Lembram também que os profissionais de ensino receberão um abono em janeiro de quinhentos a três mil e quinhentos reais, os que não faltarem. Como é que podemos cobrar se nossos filhos ficarão na escola a mercê do mesmo profissional que foi denunciado. Pior, do profissional que o pai denunciou, mas os "coleguinhas" do profissional que tomarão suas dores e com certeza não tendo nenhuma perspectiva de punição, a vida do aluno pode transformar-se num inferno. Se o profissional falta, se dá aula medíocre, se comete violência contra o aluno, com certeza é uma pessoa de conduta altamente questionável. Em sã consciência os pais não denunciarão. Estarão indignados mas de mãos atadas. Outra situação que nos indigna são os cursos de capacitação. O professor sai da faculdade, entra na escola pública e continua estudando "ad eternum". Seus dias de curso conta como dia trabalhado. O aluno sem aula, e pais pagando a escola e os cursos dos profissionais, no fim de ano ele é premiado com um abono, o professor que faltou, que prejudicou a classe é o único a levar vantagens. Os professores e outros profissionais de ensino não atendem a nossa expectativa. Não temos para quem reclamar. Querem retrocesso para poder se vingar de nossos filhos, querem reprovar. Professor não quer abrir mão de ser o dono da vida do aluno, atrasando um ou mais anos. Não aceitam avaliar continuamente o aluno porque dá trabalho. Ganham muito pela qualidade do serviço prestado. Estamos indignados. E daí?
EDUCAÇÃO VEM DE CASA PRECONCEITO DA ESCOLA Vemos, impotentes, crescer a violência e aumentar o número dos jovens que formam bandos e saem na madrugada caçando para espancar negros, gays e nordestinos. Às vezes espancam até a morte – jovens, entre eles um menor, atearam fogo num índio. São todos vítimas: agressores e agredidos. Vítimas do preconceito incentivado na escola. Ninguém faz nada. É mais fácil responsabilizar a família e o aluno. A escola passou a ser situação de risco. É ali que se fomenta a violência. Não é seguro ir para a escola, a única certeza é a impunidade dos maus profissionais do ensino. A criança está perdendo na escola o referencial de honestidade que leva de casa. Dia 04 passado o programa “Mulheres” da TV Gazeta apresentou uma adolescente com 240 quilos cuja maior mágoa foi ter saído da escola antes de terminar o 2o ano. Era o “saco de pancada” dos colegas e a professora não a deixava revidar. A mãe tentou mudá-la de escola e não conseguiu; a diretora disse que não podia matricular uma pessoa tão gorda pois iria traumatizar os colegas. Um professor que se diz sociólogo registrou queixa crime contra um grupo de alunos que o chamavam de gay. Ensinou que ser gay é algo tão terrível e não uma opção sexual do cidadão. Perdeu com a força burra de sua autoridade de professor, de ensinar os alunos que cada um é responsável perante Deus e os homens por si mesmo. Ensinaria que cuidar da vida pessoal dos nossos vizinhos é perder tempo. Perdeu a Escola Estadual Senador Adolfo Gordo, no Caxinguí, a oportunidade saudável e única de promover um rico debate sobre preconceito e ética da qual os professores falam tanto, porque é uma palavra bonita, mas a maioria nem sabe o que significa. Na EMEF Theodomiro Dias um aluno com problema de fono chega na 4a série sem saber nada. O professor aprova o aluno sem saber nada, para esconder que não cumpriu sua obrigação de dar aula de reforço. Depois é só jogar a culpa na lei, que diz que não pode reprovar, e está tudo resolvido. Na 4a série, sem saber escrever nem mesmo o nome e ainda com problema de fono virou alvo de socos e pontapés. A maioria das vezes debruçava na carteira e dormia. Sem falar direito era chamado de louquinho. A mãe diz que ele fez exames e não tem problemas neurológicos. A mãe insiste que ele precisa ir para a escola e denunciou a todas as instâncias até que o diretor encaminhou o caso para o Conselho Tutelar do Butantã alegando que a escola esgotou todos os recursos. O aluno não teve aula de reforço e chega na 4a série sem saber nada! Os alunos que batem nele não receberam nenhuma orientação. De que recursos fala o diretor? A jornalista do Jornal “O Estado de São Paulo” escreveu que 10 alunos confirmam a agressão rindo. Para eles é normal. A escola não ensinou que é errado. Se o diretor conseguir ajuda para expulsar esse aluno, amanhã é outro diferente que vai ser massacrado pelos alunos, que continuam aprendendo preconceito na escola. Cremilda Estella Teixeira NAPA – Núcleo de Apoio a Pais e Alunos - Rua Rui Pinto, 156 – Fone: 3742-3023 PRECONCEITO SE APRENDE NA ESCOLA Vimos assustados o caso recente do grupo de jovens que se juntam na noite para caçar gays, negros e nordestinos. Encontraram um travesti e o mataram a socos e pontapés. Eram 18 contra uma pessoa indefesa cuja única culpa era ser diferente. Rapazes de família, com a idade de nossos filhos e netos, jovens, muito jovens e envenenados pelo preconceito. Outro caso, ainda atravessado na nossa garganta é o do índio que morreu queimado, vítima da intolerância. Não conheço nenhum pai que incentive seus filhos a cometer crime. A escola incentiva seus alunos a perseguir os diferentes. Fomenta a intolerância dando péssimos exemplos. Tem educador que até desiste da profissão por não concordar com a cegueira e a crueldade do sistema educacional. Na Escola Estadual Senador Adolfo Gordo um professor que se diz sociólogo registrou queixa crime contra alunos que o chamaram de gay. Ele perdeu como professor e como sociólogo a oportunidade de dar uma boa aula contra o preconceito. Poderia ter ensinado que ser gay é uma opção do cidadão e que ninguém tem nada a ver com isso. Ensinaria os alunos a cuidar da própria vida já que somos responsáveis, perante a Deus e aos homens, por nós mesmos. Ele achou que ser chamado de gay era tão horrível... ser gay deverá ser pior na cabeça dos adolescentes. Lição de arbitrariedade e atestado de incapacidade. Força burra. A TV Gazeta, no programa “Mulheres” apresentou uma jovem de 240 quilos cuja maior mágoa era não ter podido estudar porque na 2a série apanhava da classe toda e a professora não a deixava revidar. A mãe tentou mudá-la de escola e a diretora não aceitou, alegando que uma pessoa tão gorda era monstruosa e que traumatizaria os alunos. O programa foi ao ar dia 04/10. Na EMEF Theodomiro Dias um aluno com problema de fala mas sem problemas neurológicos chega na 4a série sem saber nada. Desde o 2o ano passou a ser espancado pelos colegas e ridicularizado por ter problemas de comunicação. A escola não fez nenhum trabalho com os colegas dele e não lhe deu aula de reforço a que tem direito. Foi sendo empurrado até a 4a série. O diretor da escola, desde o ano passado tenta resolver o problema da maneira mais desumana, mas que é muito comum: quer que a mãe retire o aluno da escola. Ela resiste, quer que a escola assuma a responsabilidade. O caso foi parar no Conselho Tutelar do Butantã onde o diretor alegou ter esgotado todos os recursos. O único problema, agora que o aluno está fora da escola é que ele tem um irmão na 6a série que é bom aluno e o diretor está fazendo a maior pressão sobre ele. Vai pagar por ter um irmão com problema de fala porque preconceito se aprende na escola. Cremilda Estella Teixeira Presidente NAPA – Núcleo de Apoio a Pais e Alunos - Rua Rui Pinto, 156 – Fone: 3742-3023
O PODER ENDIREITA A ESQUERDA Considerando promessa de campanha eleitoral não cumprida como mentira deslavada, podemos avaliar a diferença entre a atual gestão Petista e a anterior como: só o tamanho do nariz. As duas gestões podem despertar o prêmio Pinóquio em pé de absoluta igualdade. No ano passado a imprensa alardeou as milhares de crianças sem escola. Foi só o PT ganhar as eleições que os alunos sem vaga sumiram como bolha de sabão numa legítima operação Mandrake. Para resolver os problemas de falta de vaga precisam reabrir os turnos fechados. Para reabrir os turnos, teria que ser usada a tão decantada coragem. Devolver para as salas de aula as 2000 professoras encostadas em gabinetes. Considerando a falta de coragem, precisaria ter honestidade e admitir em caráter temporário 2000 professoras. Alardearam a gestão participativa e prometeram governar com o povo e para o povo. A SME deixou por conta das escolas o registro das demandas. O que se via de norte a sul, mães entrando nas EMEFs procurando uma vaga. Ouvindo não e saindo numa fila célere e imoral. A cada 50 pedidos um era registrado nos livros de demanda. Se houvesse fiscalização dos tais “Amigos da Escola” ou pais dos Conselhos, o registro das demandas retratariam a realidade. As DREMs apresentando a lista que a escola queria. Ligar para eles, nem pensar. Ninguém via nada nem ouvia. Diretoras escolhendo a dedo quem entra na escola. Recebemos e repassamos para a SME caso de diretora que disse o que todas fazem “preferência na minha escola é para alunos que vêm transferidos de escola particular ou de melhor poder aquisitivo”. Uma das mães fez a queixa por escrito, mas como seu filho não veio de escola particular, ficou valendo o não da diretora que a DREM avalizou. O pessoal da gestão anterior ficou onde estava, a maioria deles. Uns muito bem apaniguados, outros concursados e imexíveis e outros muito competentes cuja capacidade é reconhecida por todos. Veio a nova administração e remontou os escolhidos do PT. Mal escolhidos por sinal, a ala dos descamisados valentes e sonhadora ficou de fora. Só a ala chanel que entrou. Nas escolas a situação pode até piorar porque minimamente as diretoras seguravam algumas situações. Hoje diretoras de escola aos montes estão ocupando cargo de confiança, deixando as escolas nas mãos das panelinhas dos Conselhos de escola, a Panela que muitos mexem o angu azedo mesmo. Diretoria de escola ganha uma nota preta e somando com a comissão de cargo é salário de marajá. Como é do PT, é tudo normal. Numa greve de perueiros houve ônibus queimado. O secretário dos transportes responsabilizou adolescentes e chegou a pedir rebaixamento da idade penal, publicamente. Nem vamos entrar nesse mérito, mas se há muito adolescente a serviço de bandidos é que a escola do crime é diferente das escolas da prefeitura. Sempre tem vaga. Se o adolescente é infrator e abandonado, alguém o abandonou. Para esconder o descaso com o povo. O descaso com a educação, os prefeitos anteriores faziam tudo o que os presidentes de sindicatos da educação queriam. Aumentou salário, não cobrou nada e abandonou tudo na mão dos profissionais do ensino para não ser molestado. Como conseqüência do abandono da falta de uma proposta pedagógica decente e a falta de escola, aumentou a violência. Para resolver, eles querem rebaixamento da idade penal. Estamos assistindo o repeteco. Já ouvimos falar que o poder corrompe, que é afrodisíaco e etc., mas agora vemos que “O Poder Endireita a Esquerda”. São Paulo, 08 de Abril de 2001. Cremilda Estella Teixeira – 3742-3023. NAPA – Núcleo de Apoio a Pais e Alunos.
CADÊ OS AMIGOS DA ESCOLA? Nas gestões anteriores se denunciava que havia milhares de crianças e adolescente fora da escola. Foi só o PT chegar lá e os candidatos a aluno sumiram como bolha de sabão. Deixaram o registro da Demanda na mão de quem não tem nenhum interesse em abrir os turnos fechados que são os funcionários das escolas e a direção. Mais um turno, mais trabalho. A cada 50 mães e alunos que entravam, um era atendido ou colocado o nome no livro de espera. A administração do PT que é bobinha, acreditou. Todos viam as filas de mães entrando rapidamente e saindo a procura de vaga. Era só o tempo de ouvir o não e sair. O PT que é míope não via nada. Falasse em construir novas escolas. Deixar turnos fechados e salas vazias para construir novas escolas é desperdício do dinheiro público. O PT pode. Para nós, pais e alunos, as gestões anteriores foi ruim, falta de vaga, desrespeito, evasão, desperdício. Da Dra. Marta para o Dr. Pitta só mudou a cor da pele. Continuamos sem ter para quem reclamar, apesar do PT ter criado 5 novos cargos de funcionários para a demanda ( ) com a função de dizer ao candidato a aluno “sem chance”. A EMEF Arthur Whitaker apresentou um documento dia 6 afirmando que tem 44 alunos matriculados nas salas de oitava série e nenhum desistente. Não acreditamos. Queremos a SME para conferir “in loco”. Teria alunos que não foram nem um dia desde o começo do ano. São os alunos que professor adora. Só consta na lista e não dá trabalho nenhum. As escolas tem pai nos Conselhos para assinar o que a diretora quer. Tem pais amigos da escola para lavar banheiro e consertar janela. Esses pais deviam ser convidados a conferir livros de demanda e fazer os registros. Nessa hora cadê os Amigos da Escola? São Paulo, 08 de Abril de 2001. Cremilda Estella Teixeira – 3742-3023. NAPA – Núcleo de Apoio a Pais e Alunos.
RENDA MÍNIMA VAI AUMENTAR A VIOLÊNCIA Só vai poder receber o dinheirinho do programa da Prefeitura de São Paulo, a família que mantiver a criança na escola. É uma ameaça grave. Vai colocar de novo nas costas da criança a responsabilidade por parte do orçamento doméstico. Seria incentivo se houvesse vagas sobrando nas escolas, mas vagas são disputadas como tesouro, as mães dormem nas filas à procura de vaga. A mãe nem precisa de incentivo, ela quer na maioria das vezes que seus filhos estudem perto da sua casa. Os pais são os maiores interessados que seus filhos se tornem homens de bem. Sabemos também que existe a violência doméstica que tem mãe que não se preocupa com o que possa estar acontecendo com seus filhos na escola. Outras até autorizam as professoras a bater em seus filhos, achando com isso que vai ser vista como mãe presente e que é a favor da boa educação. Existe também um número enorme de mães que se calam porque tem medo, elas sabem que se denunciar uma professora, a escola toda vai cair de pau em cima do seu filho. Hoje o problema de evasão é gravíssimo. Os números de alunos freqüentando as EMEFs em agosto caem pela metade. Nas listas das NAES (as antigas Delegacias de Ensino Municipais), o número não corresponde ao número de alunos nas salas de aula. Todo mundo sabe disso, existe a tal lei de silêncio, a mãe que denunciar, no outro dia corre o risco do seu filho ser só um nome na lista da escola também. Vai acontecer o seguinte: a má professora respaldada pela impunidade que sempre imperou, vai chantagear as mães que já vivem com medo de perder a vaga. Ninguém vai mais denunciar nada. Vai caber à criança a parte mais dolorida; vai sofrer calada. Senão vai para a rua e sua família deixará de receber a tal verba. Algumas mães por desespero e por necessidade, instruirão seus filhos a se calarem. Se tem mãe que vende filho, imagine se não vai aceitar a crueldade da escola por dinheiro? Tanto se fala de tortura e as crianças continuam sendo torturadas nas escolas. É direito de estudar que não é respeitado. Agora mais essa: fala-se de erradicação do trabalho infantil e cria-se a renda mínima atrelada à permanência da criança na escola sem vaga para todos. A violência vai aumentar... Já passamos dos limites, as crianças mais fortes, os líderes e os rebeldes vão sair pelo ladrão. A violência vai aumentar... São Paulo, 31 de maio de 2001 Cremilda Estella Teixeira - 3742-3023 NAPA - Núcleo de Apoio a Pais e Alunos
PROJETO LOROTA É um projeto que a prefeitura de São Paulo chama de PROJETO VIDA. Contratou professores para orientar as NAES a repassar para as escolas o entendimento do artigo 5o. do ECA que diz: 'Nenhuma criança ou adolescente será objeto de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão e punida na forma da lei qualquer atentado por ação ou omissão aos seus direitos fundamentais.' De uma forma ou de outra, diariamente um mau profissional do ensino viola algum item do artigo 5o. do ECA, dentro das escolas públicas. Puni-los? Ah! Ah! O corporativismo e o mito de que professor é santo não permite. O PROJETO VIDA que vai orientar os NAES a orientar os professores parece mais um cabidão. É um projeto escancaradamente demagógico, na medida que nunca vai punir o profissional que viola o artigo 5. É só para saber. Monta-se um Projeto desses para orientar o professor do que é óbvio? Não somos bobos, estamos cansados, esfolados de ver a educação ser tratada com descaso e vem mais esse PROJETO LOROTA. Um batalhão para orientar o segundo batalhão a repassar a orientação para um terceiro batalhão e o pobre contribuinte pagando os três. Escola é uma colônia feudal onde a diretora e sua troupe ditam as leis e as normas, debocham tanto do artigo 5o. do ECA e desprezam até a Constituição Federal. Como nos antigos feudos onde acreditava-se que os escravos não tinham alma, nas escolas os sentimentos e a auto-estima dos alunos é desconsiderado. Ali ele é um número e nada mais. Enquanto aumenta a violência nas ruas, nossos jovens são levados pela intolerância a se matricular na escola do crime. Jovens que deveriam estar na escola são jogados na penitenciária. Vemos jovens de 18 a 20 anos desfilarem misérias morais algemados nos vídeos de nossas TVs. Uns cabisbaixos, outros endurecidos, mas jovens cada vez mais jovens. Todos vítimas da intolerância. Todos que desistiram de estudar na 5a. ou 6a. série. Inconformados, rebeldes e líderes que vão ser jogados no fundo de uma cela infecta; enquanto isso a prefeitura lança tranqüilamente o PROJETO LOROTA. São Paulo, 04 de junho de 2001 Cremilda Estella Teixeira - 3742-3023 NAPA - Núcleo de Apoio a Pais e Alunos
PERGUNTAR NÃO OFENDE A Escola Estadual São Paulo segundo a diretora mantém convênios com empresas para as quais ela envia alunos para trabalhar. Uma aluna do 3.º colegial empregou-se e para isso teria que ser transferida para o noturno. A diretora e sua filha, sua assistente, negaram a vaga. A aluna recorreu a nós. Ligamos para a Coordenadora de Área, falamos também com a supervisora do ensino. Todos meio que receosos pareciam ter medo da diretora. Como o diálogo com a diretora tornou-se impossível porque ela ameaça, é arrogante e agressiva, procuramos a Ouvidoria da Secretaria do Estado de Educação. Na Ouvidoria colocamos que a escola tem suspeita de alunos fantasmas inclusive na sala que a aluna pleiteia vaga. Na nossa frente a ouvidora ligou para a supervisora. Esta se comprometeu a acompanhar o pai da aluna até a escola e exigir a transferência da aluna, uma vez que a supervisora já estivera na escola e encontrara a sala quase vazia. Nesse dia, a diretora da E. E. São Paulo argumentou que as salas estavam vagas por ser fim de semestre. No dia e hora combinados com a ouvidora, o pai comparece até a diretoria e a supervisora não cumpriu o prometido e pressionou o pai a transferir a aluna para uma escola no Centro da cidade. Foi a única alternativa que a supervisora apresentou ao pai e agora dia 25 a escola São Paulo recusa-se a liberar o histórico escolar. O pai diz que apesar de estar cursando o último ano do ensino médio, acha perigoso a filha sair da escola no Centro e ir para casa tarde da noite. Ligamos para a Ouvidoria e ouvimos que não pode fazer nada, que não tem poder de decisão e que a única função dela é pegar documento de um e entregar para outro e perguntamos: 1) Para que serve a Ouvidoria já que pegar documento e entregar, qualquer pessoa pode fazê-lo. É um cargo estéril. A Ouvidoria não resolve nada, e nenhuma supervisora atende o combinado com ela. Nem autoridade nem moral para que Ouvidoria? 2) Porque a supervisora não relatou que a classe estava quase vazia. Seria porque era fato já sobejamente sabido por ela e pelo dirigente regional? 3) A ouvidora argumentou que o pai preferiu transferir a filha. No último ano no 2.º semestre? Para um lugar perigoso? Seria a ouvidora ingênua? Seria o pai masoquista? Seria burro? 4) A diretora se diz dona da escola. Seria mesmo? Baseado em que? Parece que tanto a supervisora como a Coordenadora e até a ouvidora tem medo dela. Porque seria? 5) Qual o vínculo que a escola tem com as empresas? Porque a diretora tem como sua assistente sua filha, o que é proibido por lei? Porque a ouvidora que sabe disso não tomou nenhuma atitude? Parece que todos sabem... 6) Porque todos tomaram conhecimento dos fatos e ninguém faz nada? Que estranho comprometimento teriam que a diretoria da Escola São Paulo com todos seus supervisores? Seria só meramente corporativista? 7) Pelo menos suspeita fortíssima de presença de alunos fantasmas. Porque ninguém apura? As arbitrariedades continuam a todo vapor, mas nos resta perguntar porque perguntar não ofende... C/ cópia para: Ministro da Educação Secretaria de Educação Conselho de Educação Estadual e Federal Governador do Estado e imprensa em geral São Paulo, 26 de Julho de 2001. CREMILDA ESTELA TEIXEIRA Fone: 3742-3023
CADÊ OS AMIGOS DA ESCOLA? Nas gestões anteriores se denunciava que havia milhares de crianças e adolescente fora da escola. Foi só o PT chegar lá e os candidatos a aluno sumiram como bolha de sabão. Deixaram o registro da Demanda na mão de quem não tem nenhum interesse em abrir os turnos fechados que são os funcionários das escolas e a direção. Mais um turno, mais trabalho. A cada 50 mães e alunos que entravam, um era atendido ou colocado o nome no livro de espera. A administração do PT que é bobinha, acreditou. Todos viam as filas de mães entrando rapidamente e saindo a procura de vaga. Era só o tempo de ouvir o não e sair. O PT que é míope não via nada. Falasse em construir novas escolas. Deixar turnos fechados e salas vazias para construir novas escolas é desperdício do dinheiro público. O PT pode. Para nós, pais e alunos, as gestões anteriores foi ruim, falta de vaga, desrespeito, evasão, desperdício. Da Dra. Marta para o Dr. Pitta só mudou a cor da pele. Continuamos sem ter para quem reclamar, apesar do PT ter criado 5 novos cargos de funcionários para a demanda ( ) com a função de dizer ao candidato a aluno “sem chance”. A EMEF Arthur Whitaker apresentou um documento dia 6 afirmando que tem 44 alunos matriculados nas salas de oitava série e nenhum desistente. Não acreditamos. Queremos a SME para conferir “in loco”. Teria alunos que não foram nem um dia desde o começo do ano. São os alunos que professor adora. Só consta na lista e não dá trabalho nenhum. As escolas tem pai nos Conselhos para assinar o que a diretora quer. Tem pais amigos da escola para lavar banheiro e consertar janela. Esses pais deviam ser convidados a conferir livros de demanda e fazer os registros. Nessa hora cadê os Amigos da Escola? São Paulo, 08 de Abril de 2001. Cremilda Estella Teixeira – 3742-3023. NAPA – Núcleo de Apoio a Pais e Alunos.
DEUS NOS ACUDA! Quando o aluno leva para sala de aula um brinquedo ou um boné, a professora tira dele e não devolve: está ensinando o aluno a roubar. Quando coloca o aluno para anotar nomes dos colegas enquanto ela se ausenta ensina o aluno a ser cagüeta e a cuidar da vida alheia. Vai por aí uma infindável lista de coisas terríveis que o mau profissional do ensino passa para os alunos. Não temos para quem reclamar. Uma mentira do professor vale por cem verdades do aluno. O Jornal Estadão denuncia (dia 22.07) que várias escolas estaduais há nove meses estão dando aula de guerrilha com palestras importadas. Entre outras coisas guerrilha é tortura, morte, o guerrilheiro aprende também a se esconder. O número de alunos rebeldes e líderes expulsos antes de terminar o 1.º grau é enorme, mas são expulsos em todas as séries. São os líderes, os rebeldes e os que cobram uma aula de qualidade e respeito. Imaginem agora esse pessoal com a auto-estima solapada e na rua. Se antes denunciávamos que a escola formava bandido, agora com técnicas de guerrilha ele sai da escola pós-graduado e amanhã vai liderar rebelião nas penitenciárias. A Secretaria de Educação vai abrir sindicância. Ela mesma já declarou que uma sindicância demora até anos... Por isso é que o mau profissional apronta, a impunidade está garantida. Três dias depois (25.07) a TV Record mostra a frente de uma escola estadual (e esconde o nome da escola) e conta que ali fora morto um garoto com requintes de crueldade e o corpo escondido na escola. Morte anunciada com um recado na lousa que ninguém teve coragem de apagar. Como não generalizamos, até os bons professores que são poucos mas deve ter nessa escola, se omitiram. Se os criminosos ou suspeitos fossem alunos, seus rostos já estavam em tudo que é jornal e até no vídeo das TVs. É só mais um aluno pobre vítima da violência das escolas. Só Deus para se apiedar. Deus nos Acuda! São Paulo, 26 de Julho de 2001. CREMILDA ESTELA TEIXEIRA Fone: 3742-3023
O MILHÃO DO MARAJÁ E O TOSTÃO DO POVO O Vereador Carlos Gianazzi, engomadinho cuja única preocupação era os holofotes das CPIs resolve apresentar um projeto de lei muito interessante. A prefeitura de São Paulo deverá dar condução para aluno de escola pública que estude longe de sua casa. Se o bolso é o órgão mais sensível do corpo humano deverá ser também do SME. As diretoras vão ter que explicar porque o aluno está matriculado longe de sua casa para ter direito a condução. O aluno que é enviado para estudar longe é o candidato a desistente número 1. Em cima do ótimo projeto do vereador Carlos Gianazzi correm rumores de remendos feitos na secretaria municipal de educação. Fazem do projeto justo outra aberração: a verba para condução será enviada para as NAES, antigas DREMS distribuir, o mais grave é que os marajás das NAES também terão direito a verba para transporte. 1) Se quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é bobo ou não tem arte; as professoras comissionadas ficarão com a verba e os alunos com o que sobrar. É claro que não sobrará. 2) As altas funcionárias das NAES e gabinetes recebem altos salários, tem carros importados nas garagens do local do trabalho e ainda precisam da verba para se deslocar? Dizem que o montante desviado para esse fim é descomunal. O número de marajás também é assustador. Para as altas funcionários ninguém saberá quanto será destinado, mas o aluno sofrerá uma investigação social. Será o ônibus dos miseráveis. Estudar em escola pública já não é para rico. Só pobre ou louco põe seu filho em escola da prefeitura. A escola da prefeitura tem aulas medíocres e aulas vagas em profusão. Nenhum aluno que estuda em escola da prefeitura passa em vestibular da USP e tem que provar que é miserável para ter direito à condução? A verba da educação já dizia a ex-secretaria Hebe Tolosa é mais do que o suficiente para manter uma escola de boa qualidade. Nesse ano sobraram 350 milhões que a Prefeita vai ter que gastar até o fim do ano. Deixou 190.000 crianças e adolescentes sem creches, EMEIS e EMEFS e sobrou uma fortuna? Não soube dividir e gerenciou mal o nosso dinheiro. Agora vem essa estória de dar verba para condução de altos funcionários. Por isso a escola pública municipal está assim. Dinheiro TEM, aluno TEM, prédios vazios e turnos desativados TEM. As EMEFs (todas) estão funcionando com a metade da sua capacidade. Alunos fantasmas TEM mas NÃO TEMOS o principal que foi anunciado pela nova administração: honestidade, trabalho, capacidade. Não vai haver dinheiro que chegue se a verba para educação for dividida assim: a cada tostão para o povo vai um milhão para o marajá. São Paulo, 09 de Outubro de 2001 Cremilda Estella Teixeira
O MILHÃO DO MARAJÁ E O TOSTÃO DO POVO O Vereador Carlos Gianazzi, engomadinho cuja única preocupação era os holofotes das CPIs resolve apresentar um projeto de lei muito interessante. A prefeitura de São Paulo deverá dar condução para aluno de escola pública que estude longe de sua casa. Se o bolso é o órgão mais sensível do corpo humano deverá ser também do SME. As diretoras vão ter que explicar porque o aluno está matriculado longe de sua casa para ter direito a condução. O aluno que é enviado para estudar longe é o candidato a desistente número 1. Em cima do ótimo projeto do vereador Carlos Gianazzi correm rumores de remendos feitos na secretaria municipal de educação. Fazem do projeto justo outra aberração: a verba para condução será enviada para as NAES, antigas DREMS distribuir, o mais grave é que os marajás das NAES também terão direito a verba para transporte. 1) Se quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é bobo ou não tem arte; as professoras comissionadas ficarão com a verba e os alunos com o que sobrar. É claro que não sobrará. 2) As altas funcionárias das NAES e gabinetes recebem altos salários, tem carros importados nas garagens do local do trabalho e ainda precisam da verba para se deslocar? Dizem que o montante desviado para esse fim é descomunal. O número de marajás também é assustador. Para as altas funcionários ninguém saberá quanto será destinado, mas o aluno sofrerá uma investigação social. Será o ônibus dos miseráveis. Estudar em escola pública já não é para rico. Só pobre ou louco põe seu filho em escola da prefeitura. A escola da prefeitura tem aulas medíocres e aulas vagas em profusão. Nenhum aluno que estuda em escola da prefeitura passa em vestibular da USP e tem que provar que é miserável para ter direito à condução? A verba da educação já dizia a ex-secretaria Hebe Tolosa é mais do que o suficiente para manter uma escola de boa qualidade. Nesse ano sobraram 350 milhões que a Prefeita vai ter que gastar até o fim do ano. Deixou 190.000 crianças e adolescentes sem creches, EMEIS e EMEFS e sobrou uma fortuna? Não soube dividir e gerenciou mal o nosso dinheiro. Agora vem essa estória de dar verba para condução de altos funcionários. Por isso a escola pública municipal está assim. Dinheiro TEM, aluno TEM, prédios vazios e turnos desativados TEM. As EMEFs (todas) estão funcionando com a metade da sua capacidade. Alunos fantasmas TEM mas NÃO TEMOS o principal que foi anunciado pela nova administração: honestidade, trabalho, capacidade. Não vai haver dinheiro que chegue se a verba para educação for dividida assim: a cada tostão para o povo vai um milhão para o marajá. São Paulo, 09 de Outubro de 2001 Cremilda Estella Teixeira