Elisa Toneto fundadora do movimento de pais Pro-educação compartilha nesta seção sua grande experiência na luta por um ensino público de qualidade. Entre em contato com a Elisa no seguinte e-mail elisatoneto@hotmail.com ou pelo telefone 3834 5516
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Cremilda Teixeira é presidente do NAPA (Núcleo de Apóio a Pais e Alunos), batalhadora incansável a favor dos alunos da escola pública, é colunista de vários jornais de bairro, entre em contato através do blog da Cremilda ou o e-mail: cremildaestella@hotmail.com
Giulia Pierro , além de fundadora do Educaforum - o blog é também uma escritora e cronista que se preocupa sempre com a qualidade de ensino dos nossos filhos. Entre em contato atrvés do e-mail: . educaforum@hotmail.com
Os textos acima são de inteira responsabilidade de seus autores.
Lucia Alves Fonseca é mãe de aluno e membro da Federação das Associações, Pais e Alunos das Escolas Publicas de Minas Gerais. Entre em contato com a Lúcia através do e-mail fapaemg@ieg.com.br ou pelo site www.fapaemg.hpg.com.br
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QUESTIONAMENTOS:
Existe comunicação eficiente entre as APM(s) do Estado de São Paulo? E/ou por região? Toda a comunidade de pais sabe quanto o governo repassa de verba para as escolas públicas? A comunidade sabe quais os mecanismos para o dinheiro chegar até a escola? Como a comunidade deve se reunir para decidir sobre as prioridades em que essa verba deverá ser aplicada? As escolas estão isoladas entre si? As estratégias de convencimento para atrair os pais para as escolas têm sido eficientes? Que nota a comunidade daria para o desempenho da(o) APM/Conselho de Escola? O que a comunidade tem a dizer sobre: "Eu mando meu filho prá escola o resto não é problema meu." Isso é suficiente? Apenas os alunos tem a obrigação de aprender? E os pais? Será que o tempo deles já terminou e não há nada a fazer? A comunidade sabe o nome do Diretor da Escola? Dos professores de seu filho? Dos amigos de seu filho? A comunidade de pais tem noção do valor da educação? E o que representa isso no futuro de seus filhos? Quais os caminhos para a escola pública dos nossos filhos ser bem sucedida? É pensar sozinho? É buscar e trocar experiências? É integrar para não desintegrar? É envolver para desenvolver? É lutar para que os alunos tenham auto-estima? É acreditar que a comunidade tem capacidade de realizar tarefas e conseguir bons resultados? Todos os professores são competentes? Como lidar com as diferenças? Como detectar falhas na alfabetização? O currículo escolar é satisfatório? Os alunos que não conseguem aprender são tratados de que forma? Esses questionamentos são alguns que nós poderíamos estar fazendo junto com os outros pais das escolas públicas para que juntos pudessemos buscar soluções. Será que a comunidade sabe que o governo sabe como fazer? E isso tem fundamento? Se, não tem, o que estamos fazendo para cobrar os direitos de nossos filhos? Por onde começar se há tantos problemas? Onde buscar as soluções? Aqui vai uma sugestão: -as pequeninas ações serão chamadas de *primeiros passos*. -cada um dos envolvidos deverá ter lições de casa. -Cartazes poderão ser colocados nas padarias, nos açougues, nas igrejas, etc. convidando a comunidade a participar dessa mobilização pela escola de seu filho. -O que eu posso ensinar? ex:posso ensinar a Diretora Financeira da APM a montar o balancete da escola. -O que eu posso *levar* para dentro da escola? ex: um professor de neurolinguistica para dar uma aula à comunidade. -Buscar apoio da imprensa para que ela possa ser o nosso aliado numa campanha onde os cidadãos sintam a vontade de responder ao chamado: Comunidade. Presente! -Que a equipe do Conselho Fiscal entre periodicamente na Internet para saber e repassar o *saber* a respeito da verba para sua escola. - Posso junto aos moradores do meu bairro pedir doações de jornais, revistas e livros para doá-los à escola. - Posso telefonar, comparecer ou encaminhar pais aos conselhos tutelares. - Posso promover debates sobre os deveres e direitos dos nossos filhos e dos pais. - Posso colaborar na melhoria da cultura fazendo parte da equipe - Posso buscar doação de filmes. - Posso passar fax ajudando na integração entre as escolas. - Posso junto a Diretoria Regional de Ensino sugerir encontros entre as APM(s) - Posso tudo isso? Havendo boa vontade, Posso.
obs: talvez possa parecer que todos nós já saibamos as respostas para esses questionamentos e que as sugestões tenham ficado *envelhecidas*, mas a questão é: Se sabemos e não fazemos o que é que está
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PROFESSOR PATIFE!
Se fossem pais ou alunos que tivessem a coragem de chamar um professor de patife, os pais receberiam todo tipo de ameaça ou seriam chamados de loucos. Imagine chamar o santo do professor de patife... Se fosse aluno estava expulso, mas quem usou a expressão PATIFE para qualificar o mau professor, aquele que falta, foi Dr. Mário Sérgio Cortela. Saindo a avaliação de um homem como ele foi gratificante, foi até reconfortante. Não temos nenhuma crítica em relação a conduta dele. Na Educação, ele é nossa reserva moral, assim como na ouvidoria nossa reserva moral é Dr. Bendito Mariano.
Perguntaram ao Dr. Mário Sérgio Cortela, em entrevista recente, o que ele achava do professor de escola pública que costuma exagerar nas faltas e ele disparou ousado e seguro: É um patife! Dr. Mário já foi secretário de educação de São Paulo, sabe muito bem o que fala, é do ramo.
Temos denunciado violência de tudo quanto é tipo que o aluno sofre dentro das escolas públicas. Do portão para dentro ele deixa de ser cidadão, é um escravo de consciência que só tem deveres, recebe péssimos exemplos e muitas vezes não pode contar nem com os pais em sua defesa. Escola tem se transformado num antro, lugar onde deveria ser um santuário.
Ocorre que só existe o professor patife por que nas escolas públicas existe o diretor patife que finge que não vê que o professor mais falta que dá aula. Faz de conta que não sabe que no hollerith não veio desconto nenhum Trabalhador comum quando ganha pouco trabalha mais, faz até hora extra; professor não, trabalha menos, falta mais: que estranho... O diretor patife por sua vez precisa que os professores não percebam a patifaria dele.
Existe o diretor patife porque os delegados de ensino são patifes, estão delegados mas eram professores e diretores e a qualquer hora voltam para o lugar de origem fazendo patifaria.
A educação poderia andar bem e as escolas poderiam deixar de fabricar bandidos, se os secretários de educação não fossem patifes. Nós da comunidade sabemos quem é o mau professor e se fôssemos ouvidos e respeitados sanearíamos as escolas, faríamos de bom grado o trabalho de fiscalização, impossível de ser feito aquartelado nos gabinetes. Para isso precisaria coragem, boa vontade e capacidade. Nestas alturas precisaríamos contar com o milagre da multiplicação, ou seja, muitos homens, centenas com a envergadura moral do Dr. Mário Sérgio Cortela que teve peito de dizer publicamente que existe professor patife.
São Paulo, 11 de maio de 2001
Cremilda Estella Teixeira - 3742-3023
NAPA - Núcleo de Apoio a Pais e Alunos
Qual será a maior diferença entre a escola pública e a particular no Brasil?
Por Giulia Pierro
A qualidade pedagógica? Diria que não, pois em 99% dos casos a escola particular também não se preocupa em formar indivíduos nem cidadãos.
A formação dos professores? Também não, pois na maioria dos casos os mesmos profissionais dão aula na rede pública e na particular.
O nível de violência? Depende do ponto de vista, pois na escola particular pode existir um tipo de violência mais sutil que fere mortalmente a personalidade e a vocação do aluno.
A maior diferença entre a escola pública e a particular é uma ilustre desconhecida: a "aula vaga". Digo desconhecida porque nem mesmo os jornalistas que cobrem a área de educação sabem o que é.
A aula vaga é a aula prevista, mas não dada. Ela ocorre diariamente na rede pública e é mais freqüente em situações típicas, como o primeiro mês de aulas, quando a maioria dos professores ainda não assumiu suas classes. Também é mais freqüente no fim do ano letivo, quando as notas já estão fechadas e muitos alunos são empurrados para a recuperação de férias. Outra situação bastante comum é a ocorrência de feriados no meio da semana, quando os professores resolvem "enforcar" alguns dias. Existe também a aula vaga devida a licença concedida ao professor, seja por doença, prêmio ou outro motivo. Enfim, sempre que o aluno chegue na escola e deixe de ter uma ou mais aulas previstas, trata-se de "aula vaga".
Em cada caso, as escolas agem de forma diferente: poderão soltar os alunos na rua, mostrando falta de responsabilidade; poderão deixá-los jogar pelada na quadra ou no pátio da escola, com ou sem supervisão; poderão também dar à aula vaga um caráter "cultural", substituindo aulas de matemática, português, física, química, biologia etc. por jogos ou exibição de filmes. Trata-se de disfarces ou quebra-galhos. É muito comum, numa escola pública qualquer, cinco minutos antes da entrada dos alunos, os diretores se descabelarem e chamarem seus funcionários, auxiliares, inspetores de alunos e até as merendeiras: "Pessoal, faltaram cinco professores. Temos que remediar cinco aulas vagas. Todo mundo para as salas de aula!".
Para entender melhor este fenômeno exclusivo da rede pública de ensino que é a "aula vaga" é preciso compreender outro fenômeno intrigante: o "direito à falta" do professor e dos demais profissionais do ensino.
O direito à falta é um privilégio do funcionalismo público. Em poucas palavras, o funcionário – seja ele municipal, estadual ou federal - tem direito a faltar X vezes durante o mês. Um velhinho curioso me contou uma vez que tudo começou com o "dia das regras", no ano de mil novecentos e lá vai pedrada, quando as senhoras "incomodadas" durante suas regras conquistaram o direito a uma folga mensal. Em breve a folga foi reivindicada também pelos varões e as senhoras lutaram por mais um dia, seguidas pelos cavalheiros, até que o funcionalismo público brasileiro conquistou o "direito" a inúmeras faltas abonadas, justificadas e injustificadas – mas permitidas. Quanto à escola particular, o direito à falta não se admite, pois se trata de empresa privada, onde o professor corre o risco de ser demitido e de perder a bolsa para seus filhos.
O buraco é muito fundo. Do ponto de vista legal, pergunto: "direito" a faltas é constitucional? Do ponto de vista educacional, pergunto: qual o efeito pedagógico da falta justificada do professor? Quais os valores que a escola está transmitindo ao aluno durante a "aula vaga"? De que o trabalho é castigo ou sacrifício? De que a aula não é importante?
Mas o mais grave é o seguinte: aluno de escola pública costuma ter, no mínimo, 20 por cento a menos das aulas devidas. O problema foi camuflado de forma eficiente pelas autoridades, determinando que o aluno venha a ser reprovado caso tenha "menos que 75% de freqüência" às aulas. Isto significa que, por tabela, o aluno também recebeu o "direito" de faltar a 25% das aulas, o que permite ao professor e aos demais profissionais do ensino boa flexibilidade para administrar seu próprio "direito". Em última instância, caso a freqüência mínima da classe ou do aluno não for atingida, existe mais um dispositivo para disfarçar a situação: é a "reposição de aulas", que, muitas vezes, obriga o aluno a sacrificar alguns sábados ou encurtar suas férias, além de ser mais um tapa-buracos.
Do meu ponto de vista, trata-se de um verdadeiro escândalo, que mostra o descaso das autoridades brasileiras para com o ensino e a educação, pois permite reduzir o ano letivo em 20% a 30%, de forma legal. Além disto, o "direito à falta" é um conceito antipedagógico, que não cabe em instituições de ensino.
Propus a um jornal paulistano de grande porte que fizesse uma matéria sobre o assunto. O repórter que cobria educação – para variar – não sabia o que significa "aula vaga". Depois que expliquei, ele disse que o jornal só permitiria a publicação de uma matéria baseada em números e estatísticas de fonte segura. Onde ele poderia checar a informação de que o aluno de escola pública "recebe" de 20 a 30% de aulas vagas durante o ano letivo? Ora, ora, como dizia minha nonna bolonhesa: "È qui che casca l’asino!". Agora é que são elas! A quem interessaria encomendar uma estatística sobre "aulas vagas"? Ao Ministério ou às Secretarias de Educação? Aos sindicatos dos professores? Seria muita ingenuidade acreditar nisso... E, mesmo assim, seria muito difícil computar as aulas vagas disfarçadas de atividade cultural, esportiva, recreativa etc.
Na verdade, este problema preocupa apenas os pais e alunos de escolas públicas, que não precisam de estatísticas: eles estão carecas de saber que a aula vaga "engole" – efetivamente – de 20 a 30% do ano letivo – salvo raríssimas e honrosas exceções que confirmam a regra.
Políticos interesseiros ou mal informados propõem aumentar a carga horária da rede pública. Na atual conjuntura, seria aumentar também a carga das aulas vagas. O único exemplo de seriedade e respeito a ser dado ao aluno é garantir que ele tenha efetivamente TODAS as aulas previstas, de cada disciplina.
Uma reflexão: como falar em "qualidade do ensino", se o aluno não recebe nem mesmo a motivação diária de chegar à escola e ter uma aula prevista e planejada? Como será que o adolescente – questionador por natureza – entende o argumento do professor, de que "amanhã vou faltar, já aviso vocês, pois se quiserem não precisam vir à escola"? Será que a "aula vaga" não é mesmo um instrumento perverso e proposital para a manutenção do status quo?
Sugiro que o Inep, empenhado em medir a posição do Brasil no ranking internacional, pesquise também a questão da "aula vaga". Em quais outros países existe este fenômeno e em quais proporções? Qual é a opinião pública das autoridades internacionais a este respeito? E, principalmente, o que se pode ou se quer fazer para resolver este problema?
CAVALO? É A MÃE!
O maior problema do ensino público no Brasil não é a política educacional, não é a falta de proposta pedagógica, nem mesmo a má qualidade do ensino. Pior que tudo isso é a falta de respeito ao aluno. Este é um assunto tabu, envolto em quilômetros e quilômetros de panos quentes, durante toda a extensão do território nacional. Não se fala disso, não se reconhece, nem sequer se admite...
Já começa lá em cima, ao fechar as torneiras e desviar as verbas da educação para outras áreas. Mas é mesmo dentro da escola que ocorrem os casos mais freqüentes de abuso, ora devido ao despreparo de professores e profissionais, outras vezes ao corporativismo que determina a lei do silêncio.
A defesa do professor e do profissional de ensino está sempre na ponta da língua: foi provocação do aluno! O professor estaria apenas revidando e ele próprio seria a grande vítima do sistema educacional...
Vamos então inverter nossa escala de valores, revogar o Estatuto da Criança e do Adolescente e dar assistência ao marmanjo desamparado?
Por mais que eu precise reconhecer que os jovens estão se tornando cada vez mais atrevidos, não posso deixar de enxergar o lado positivo da questão. Insisto de que o exemplo vem de cima e que a educação se dá pelo exemplo.
Em dez anos de luta pelo ensino público, vi cenas estarrecedoras e colhi depoimentos de arrepiar, muitas vezes sem que os agressores – maiores e vacinados – admitissem a gravidade de seus atos, atitudes ou descaso.
Vi, por exemplo, uma coordenadora pedagógica tirar todos os livros e cadernos do braço do aluno e atirá-los ao chão. A diretora da escola considerou o ato compreensível, pois a funcionária tinha "problemas".
Vi uma professora substituta dispensar os alunos no meio de uma aula e gritar: "Não dou mais aula para cavalo!".
Fui chamada por um pai para uma reunião extraordinária de Conselho de Escola, onde pretendiam expulsar o filho, por ter falado um palavrão em sala de aula. O aluno fez um relato público e sincero, reconhecendo seu erro e pedindo desculpas à professora, à diretora, à escola inteira, argumentando porém que havia sido a única vez que falara qualquer palavra de baixo calão em sala de aula e que achava injusto ser expulso por causa disso.
A diretora argumentou que aquela escola era diferente, foi se gabando de que seus alunos "entravam direto na USP", disse que muitos vinham de fora pensando que podiam fazer o que quisessem e que ela não admitia qualquer palavra de baixo nível dentro de "sua" escola. De repente, o rosto do aluno incriminado se iluminou: ele lembrara de algo que havia esquecido e fez um relato. No dia de ele falar o tal palavrão, aliás, antes do fato que motivaria sua expulsão, a professora estava organizando os alunos para uma determinada atividade e soltou esta frase: "Vamos parar com a viadagem aí nesse canto?"...
Se eu fosse a tal professora – aliás presente à reunião – teria me enterrado em um buraco negro, mas ela não se abalou: simplesmente argumentou que foi um simples desabafo, pois é difícil lidar com adolescentes hoje, quando já vêm deseducados de casa.
Pois é, no caso do professor é um "simples desabafo", no caso do aluno é motivo de expulsão...
Mais uma pérola da falta de respeito para com o aluno. Sem querer, ouvi os cochichos de um grupo de meninas no pátio de uma escola: "Depois que aquela professora chamou a classe inteira de merda, o que vamos esperar?..."
Pedi licença para entrar na conversa e elas me contaram que a tal professora estava muito aborrecida com a indisciplina da classe. Ela teria dito mais ou menos assim: "Vocês pensam que podem fazer o que querem aqui, não é? Mamãe faz parte do Conselho de Escola, a diretora passa a mão na cabeça de vocês, mas quero que saibam que, para mim, vocês não passam de um monte de merda!".
As alunas ficaram surpresas e questionaram: "A senhora chamou a gente de quê, p’sora?". A professora confirmou. Perguntei às alunas se haviam comunicado o fato aos pais. Não, não haviam falado, pois só receberiam bronca. E à diretora? Nem pensar, mesmo porque já havia se passado mais de um mês.
Fui conversar com a diretora, preservando a identidade das alunas. Ela fez cara de grande espanto e reagiu assim: "Preciso primeiro apurar os fatos. Se essas alunas estiverem certas, a professora deve estar com forte esgotamento nervoso. Vou encaminhá-la ao médico para receber uma licença". Argumentei que achava mais provável a professora ter tido um "simples desabafo", na certeza de que não sofreria qualquer punição. Insisti para a diretora exigir que a professora se retratasse perante a classe – mesmo depois de um mês – dando aos alunos o exemplo de que errar é humano e que sempre é tempo para se desculpar.
A professora pediu desculpas à classe, mas começou perguntando: "Quais de vocês mesmo têm pais no Conselho de Escola?".
Silêncio mortal...
A professora continuou: "Pois alguém foi relatar à diretora que eu teria desrespeitado vocês em sala de aula. Eu não me lembro de ter feito isso, aliás, eu é que me sinto desrespeitada aqui dentro, mas, por via das dúvidas, peço desculpas." Desculpas esfarrapadas, pedidas sob pressão, sem sinceridade e ainda tentando pegar o delator de calça curta...
Além da violência mais ostensiva – que vai do bofetão ao xingamento – existe uma forma mais sutil que é tiro-e-queda para colocar no chinelo a auto-estima dos alunos. É o caso do professor que chega atrasado à aula e diz: "Aqui eu chego atrasado mesmo! É muito mais importante pra mim segurar meu emprego na escola particular, porque lá eu tenho bolsa pros meus filhos e garanto a educação deles!".
Ou então o professor que "consola" o aluno desta forma: "Você tem toda razão: teu pai te abandonou, desistiu de você, colocou você na escola pública...".
Tem mais um tipo de professor que costuma "incentivar" os alunos assim: "Aqui vocês não têm futuro, vão ser passados para trás pelos alunos de escola particular e nem pensem em conseguir entrar numa faculdade pública!"
Nenhum professor já admitiu para mim – cara a cara – que já soube de colegas que fizessem coisas desse tipo. A reação vai da indignação – negando a possibilidade de tais fatos – ao silêncio constrangedor.
Na escola particular não é muito diferente, a violência é talvez mais velada e muitas vezes conta com a cumplicidade dos pais. Soube de um menino de Primeira Série que foi retido durante quatro horas na secretaria da escola, por estar calçando sapato de cor diferente do uniforme. A escola tentou entrar em contato com a mãe, sem conseguir e, ao buscar o filho, ele ainda estava na secretaria. Perguntei à mãe o que ela iria fazer e a resposta foi: "Fazer o quê?"...
Entendo que falta, na formação do professor e do profissional do ensino, uma disciplina chamada "Respeito", não apenas para com o aluno, mas muitas vezes também com os pais, mantenedores da escola. Entendo também que é ao professor que cabe dar o exemplo e que a colheita é de acordo com a semeadura.
Participei uma vez de um debate e perguntei para altas autoridades da educação se havia, nos cursos de formação, uma disciplina específica voltada para o trato com o aluno e a comunidade. A resposta foi que não, pois, ao longo do processo de formação, diversas disciplinas – psicologia, pedagogia, ética etc. – supriam essa necessidade.
É uma visão deficiente, pois todos os profissionais citados neste texto podem ser considerados, no mínimo, mal-educados, o que é paradoxal dentro de um espaço pedagógico como é a escola. Além disso, quantos são os professores realmente formados?
Se for verdade que o Governo Federal está preocupado em melhorar a educação neste País, precisa garantir que, ao chegar na sala de aula ou na escola, o professor e o profissional do ensino saibam lidar com o aluno com um mínimo de respeito – devido a qualquer ser humano, mas em especial à criança e ao adolescente, seres em formação que reagem de acordo com os estímulos que recebem.
Isto vale também para o policial que, segundo a péssima moda atual, faz ponto dentro das escolas e gosta de exibir seu três-oitão, falando para o aluno: "Te liga, meu, que falta só dois palito preu te fodê!".
Enquanto o budismo não for a filosofia universal neste planeta, não deve admirar que, ao ser chamado de cavalo, um adolescente retruque desta forma: "Cavalo é a mãe!".
Giulia Pierro
Esta crônica está publicada na página da autora http://caracol.imaginario.com/autografos/giuliapierro
e-mail: giuliapierro@hotmail.com
A música da Educação na sociedade vai mudar!
...'Muita gente boa pôs o pé na profissão' ... Assim fala Milton Nascimento na música 'Nos Bailes da vida'.
Muitos são os que falam sobre 'Um novo caminho para a escola no Brasil' sobre 'Os líderes do novo milênio' e definem suas Habilidades como: Têm visão e capacidade para transmiti-la. Têm autoridade moral e credibilidade. Tomam decisões baseadas em crenças e valores. Consideram opiniões de membros das equipes de todos os níveis gerenciais. São audaciosos, entusiastas, criativos, intuitivos, empreendedores. Têm experiência, segurança, tenacidade e lealdade. Têm consciência da verdadeira situação dos empregos, propondo e viabilizando as pessoas condições para enfrentar a empregabilidade ,e não mais empregos com função definida e estática. Seu êxito ou fracasso depende da comunicação '. Escrevem também que:' Professores lidam com pessoas e, como tal, não são simples transmissores de conhecimentos.
Várias pessoas originam-se de um contexto social bastante diferenciado vêm de lares desfeitos, de famílias desfiguradas pelo divórcio, e também de lares de mães ausentes, com a presença cada vez maior da mulher no mercado de trabalho. Tudo isso muda completamente o perfil do aluno que a escola recebe hoje em dia. Os conflitos são tão grandes que a escola e pais , portanto têm de fazer uma parceria na educação. Os dois são fontes de informação e educadores emocionais na construção de uma melhor qualidade de vida. Juntos poderão fazer da escola uma via de mão dupla.
Onde estão este espaço de Construção pode ser efetivamente trabalhado dentro das escolas para o benefício dos alunos. Nas Associações de Pais dentro das Escolas.Dentro das Associações pais de alunos fazem o papel de Pais e dá referencia para alunos que não tem referencial da família.Dentro das Associações de Pais e Mães, Homens e Mulheres , Pais e Mães podem discutir esta comunicação familiar e educacional de seus filhos e amigos e colegas de seus filhos.Para isto as Associações precisam contar com o apoio dos diretores , Orientadores, Psicólogos da estrutura da Escola para comporem juntos um novo educador. Um Educador emocional. Este será aquele que: Sabe lidar em primeiro lugar com os seus próprios sentimentos, educando-se a si mesmo para educar o outro. Tem capacidade diálogo, adquirindo com autoconhecimento respeito à vivência do outro. Ensina aprendendo. Conhece, ouve, conversa e constrói junto. Olha para dentro de si mesmo na busca do autoconhecimento, descobre qual é a visão do outro a seu respeito, conhece cada indivíduo com quem se relaciona e estabelece parcerias.
A qualidade de vida na escola tem de passar pela cidadania , pelo engajamento de cada um, que é responsável pelo próprio comportamento e por ser feliz. É preciso resgatar a amizade, a polidez e as virtudes no dia-a-dia no ambiente de trabalho. Pois a vida se viabiliza nas diferenças, na diversidade, e a soma das características faz a força do trabalho de equipe comunidade Escolar onde Pais e comunidade externa vizinhas da Escola farão parte da construção desta nova forma de Educar aprendendo.
Postura crítica e exigência dos direitos humanos constituem o alicerce da transformação do cenário atual. Não adianta esperar por um governo capaz de mudar a realidade social, por decretos ou mudanças estruturais. Consolida-se a certeza de vir do próprio homem à reconstrução do mundo.
Valorizar a própria vida e construir a justiça social dependem da coragem de cada um de se colocar no mundo a serviço do bem-estar coletivo.Tomando-se o exemplo de um dos maiores cientistas da nossa era Einstein. Einstein nos ensina 'Cada um de nós vem para uma breve visita, sem saber por quê, embora às vezes pareça adivinhar o objetivo. Do ponto de vista da vida cotidiana, entretanto , existe uma coisa que precisamos saber. O homem está aqui para o bem dos homens - acima de tudo por aqueles de cujo sorriso depende a nossa própria felicidade. E também pelas intocáveis almas desconhecidas com quem nossos destinos esta ligado pelo laço da simpatia .Várias vezes ao dia percebo como minha vida interior e exterior se baseia nos esforços de meus companheiros vivos e mortos e o quão fervorosamente devo esforçar-me para distribuir o tanto que recebi'. A função primeira do Educador seja ele Professor ou os Pais será despertar no aluno a semente desta natureza humana compartilhar o aprendizado pelo exemplo de fazerem juntos uma nova Escola.
Lucia Alves Fonseca, Membro da Federação das Associações, pais e alunos das Escolas Publicas de Minas Gerais.
O FUTURO EM RISCO ?
Acreditamos que uma sociedade organizada é a resposta à crescente importância da educação para o crescimento econômico e o desenvolvimento social. Economias abertas, políticas democráticas e governos descentralizados estão impondo novas demandas às escolas e exigindo que elas produzam uma força de trabalho flexível, fomentem mudanças tecnológicas, preparem as pessoas para cidadania democrática e expandam as oportunidades sociais. As Associações de Pais dentro das Escolas é também uma das formas de colaborar para a elevação da qualidade e da equidade da educação, mediante promoção e debates de melhores políticas educacionais. Os três objetivos intermediários que as Associações de Pais poderão ter, são:
1. Fortalecer o apoio público e privado para as reformas educacionais;
2. Fortalecer a organização dos segmentos dos setores públicos e privados para trabalhar para a melhoria da educação;
3. Identificar e disseminar as melhores políticas e melhores práticas educacionais.
Um grupo de trabalho ( Programa de promoção de reforma educativa na América Latina e Caribe - PREAL) foi formado para examinar o estado da educação e apresentar suas observações e recomendações . Um relatório técnico foi elaborado para orientar a formulação e discussão das políticas Educacionais na América Latina e Caribe. Os membros deste grupo de trabalho estavam particularmente interessados em atingir as lideranças de fora do setor educacional, cujo apoio seria crucial para promover mudanças institucionais fundamentais na educação. O grupo de Trabalho procurou promover consenso entre os diversos segmentos da Escola, com relação à necessidade de realização de reformas fundamentais na educação e criar novas alianças para apoiar essas reformas. Os Diversos segmentos necessitam ampliar a “frente” para a reforma da educação mediante envolvimento de todos os segmentos da Escola e fora dela. Buscar identificar novas formas de abordagem para as políticas educacionais dentro desta Escola e monitorar estas para ser uma escola de referência e qualidade. Para isto as Associações de Pais que devem fazer parte das Escolas precisam ouvir todos os segmentos. As propostas e recomendações para atingirmos as metas que devem pautar sobre estes pilares segundo o Relatório do PREAL.
1. Estabelecer padrões para o sistema educacional e medir o progresso na sua implantação;
2. Dar a comunidade o maior controle sobre a educação - maior responsabilidade por ela;
3. Fortalecer a profissão do magistério , reformulando a formação e tornando o professor mais responsável perante a comunidade local e pleiteando melhores salários para os mesmos;
4. Investir mais por aluno no Ensino fundamental e Médio.
Este chamado a Ação em conjunto ; Professores e aos Pais deve ser considerado muito relevante junto aos professores e sem a atenção e o apoio dos professores, não faz sentido pensar em reforma educacional . É essencial que os senhores professores se envolvem com mais profundidade na educação junto com os Pais. Isso significa trabalhar com os líderes da comunidade, empresários , os professores, os Pais e a comunidade escolar , para exigir a excelência do sistema educacional e contribuir com muito esforço e entusiasmo pessoal para consegui-la.
Estas reformas se bem sucedidas devem atender aos seguintes requisitos:
1. Ênfase na inserção bem sucedida do indivíduo na sociedade e da sociedade no mundo juntamente com avaliações do professor e do aluno.
2. Um salto na produtividade do setor educacional , corrigindo os principais fatores de ineficiência;
3. Elaboração de projetos , testes e disseminação de experimentos institucionais e pedagógicos geralmente por Entidades privado as sem fins lucrativos, buscando melhorar a relação custo/ benefício da educação com recursos economizados mediante implementação das medidas acima;
4. aumento dos recursos para a educação com base nas medidas acima , o que melhora o custo relativo e a equidade na educação.
Dados tirados do relatório do PREAL- julho 1998
Lucia Alves Fonseca – Membro da Federação das Associações, Pais e alunos das Escolas Publicas De Minas Gerais – FAPAEMG.
PONTO DE VISTA
No ano de 1998 colocamos este artigo no Jornal da Escola “Escola e família caminham juntas? Nem sempre. Se por um lado muitos pais jamais questionam a escola, temendo represálias contra os filhos, por outro, alguns estão incondicionalmente a favor do filho desautorizando a escola. Raras são as situações em que pais e escola “lutam pela mesma causa”, mantendo uma relação de trocas.
No entanto, nem queixas, nem acusações levam à solução. Enquanto pais, professores e instituição se acusam, o aluno fica sem referência e continua agindo a seu modo. Em vez de se unirem, os responsáveis pela educação se dividem. Essa divisão é, sem dúvida, percebida e propicia um jogo que, a princípio, é inconsciente. É a mesma situação de um casal que se acusa todo o tempo, criando um clima em que o filho, ainda que inconscientemente, joga um contra o outro, bajula ora um ora outro, chantageia aqui e ali, conseguindo, na desavença, tudo o que quer. Ele percebe a fragilidade da relação.
Grave, nessa situação, é que o aluno, como o filho, deixa de ser o alvo da intenção de educar, sendo o objetivo deslocado para as questões de relacionamento:instituição/professores,pais/instituição,professores/alunos. Daí a necessidade de considerarmos pontos importantes como: a coerência de atitudes: a criança e o adolescente irão tomar como referência muito mais o que o adulto faz do que o que ele fala. A função de educar exige do adulto, seja ele pai ou professor, um posicionamento firme. Diante de uma discussão entre irmãos ou colegas em sala de aula, o educador tem que tomar decisões rápidas, não dá para ficar pensando. Por isso, a importância desse educador discutir a sua prática, rever seu posicionamento e desta forma poder ser essa referência. Normalmente , o que temos constatado é que o adulto “se demite” do ato de educar.”
Para que possamos refletir onde estamos errando e se desejarmos corrigir os erros, deveríamos registrar os fatos, verificar onde erramos e corrigimos nossas atitudes.Deveríamos ser o que cada um busca para si, e principalmente descobrir para que fins serviram o que fizemos. Acredito que a informática será uma ferramenta muito importante para registrarmos os fatos e a internet uma fonte permanente de consulta sobre os resultados.
A Educação comprometida com responsabilidade é a diferença entre o que tivemos ontem, o que desejamos ter no amanhã e o que pretendemos que seja construído para o futuro ainda hoje.
Lucia Alves Fonseca
Membro da Federação das Associações, Pais e Alunos das Escolas Publica de Minas Gerais
LEI ESTUPRADA
O ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente é uma lei que nasceu do sincero
propósito de melhorar a condição da infância e juventude no Brasil, numa
época em que eram comuns as chacinas e os abusos. Hoje, onze anos depois, a
situação não melhorou, pois é de conhecimento público que, no Brasil, a
maior causa de morte na adolescência é o assassinato.
Um fator fundamental justifica a existência do ECA. No Brasil as crianças e
adolescentes representam a maioria em termos de população, mas são tratados
como minorias, obviamente por não conseguirem se organizar, devido à sua
imaturidade. Eles precisam de uma lei para defender seus interesses.
O ECA é uma lei clara e justa, mas "peca" por exigir que a criança e o
adolescente tenham prioridade em relação aos demais cidadãos. O espírito da
lei não é criar privilégios, mas compensar a desvantagem natural devida à
falta de experiência, conhecimento e sabedoria. Além disto, chega a ser
lugar comum que a infância representa o futuro de um país e que o progresso
da nação depende do desenvolvimento saudável de suas crianças e jovens. Quem
vai discutir isto? (Ufa, que chatice repetir esses chavões anos a fio!...)
Infelizmente, marmanjos invejosos e ofendidos pela prioridade dada à
infância e à juventude conseguiram despertar na opinião pública uma forte
resistência ao ECA, divulgando que essa lei serve apenas para dar impunidade
aos "delinqüentes" juvenis. É tanta a revolta da sociedade brasileira contra
os "menores infratores" que permite-se um verdadeiro estupro da lei,
caracterizado pela manutenção de uma aberração chamada Febem, uma
instituição que poderia ser fechada a qualquer momento, pois funciona fora
da legalidade, a ponto de ter seu registro negado pelo Conselho Municipal
dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Sou de opinião de que as leis devem servir à sociedade e não o contrário.
Para que isso aconteça, é necessário que elas sejam amplamente discutidas, o
que não acontece no Brasil. Só se pode querer mudar uma lei se ela mostrar
que não atende aos interesses da maioria. Acontece que o ECA ainda não está
em vigor! Quem se der ao trabalho de ler alguns de seus artigos verá que
quase nada é colocado em prática. E hoje, mais do que nunca, a infância e
juventude do Brasil precisam ser defendidas do caos.
Infelizmente a sociedade brasileira não está familiarizada com a leitura das
leis. Existe um preconceito de que "lei é coisa para jurista" e que o
cidadão comum não tem competência para interpretá-la. Entendo que um país só
se torna uma verdadeira democracia quando a sociedade possui o domínio da
lei. Quanto ao ECA, toda família deveria consultá-lo diariamente. Se isso
acontecesse, a população estaria de olho na eleição dos Conselhos Tutelares
e faria questão de eleger o seu.
Em São Paulo, essa eleição está marcada para o dia 11 de novembro próximo, o
que foi publicado no Diário Oficial do Município, mas nada se comenta a
respeito. A imprensa entende que o assunto não é notícia, pois a população
não se interessa por ele. Por outro lado, os órgãos competentes não
acionaram sua assessoria de imprensa e assim tudo indica que, mais uma vez,
a eleição dos Conselhos Tutelares em São Paulo será um acontecimento
restrito e reservado. São 140 cargos a R$ 1.280,00 por mês durante um
mandato de três anos, sendo que "só Deus sabe" quem se candidatou e quem
serão os eleitores dos Conselheiros. Você concorda que esse dinheiro saia do
seu bolso, sem saber para onde vai? Se não, ligue para a imprensa, escreva
cartas aos meios de comunicação e agite a opinião pública, para que a
eleição do quarto mandato dos Conselhos Tutelares seja adiada, pois as
anteriores foram jogo de cartas marcadas. Exija também que haja ampla
divulgação do processo eleitoral, no mínimo noventa dias antes da eleição,
como determina a lei.
Se você ainda agüentar meus devaneios sobre o ECA, leia meus artigos
anteriores CONSELHO TUTELAR, VOCÊ CONHECE?, O "MAIOR" INFRATOR, SERÁ VOCÊ,
MARTA?, AO SENHOR GOVERNADOR (na época em que Mário Covas ainda estava vivo)
e O MENINO ELIÁN E A FEBEM (www.webamigos.net). Prometo que nunca mais
escrevo nada sobre o ECA! (Você vai acreditar?...)
Última parada: dê uma espiada no site do EducaFórum
(www.webamigos.net/educaforum) e leia o histórico sobre as eleições
anteriores dos Conselhos Tutelares em São Paulo, no link ECA.
Giulia Pierro
giuliapierro@hotmail.com
IMPLANTAÇÃO DO ECA: QUEM VAI COMEÇAR?
Os últimos acontecimentos que culminaram na impugnação da eleição dos
Conselhos Tutelares em São Paulo mostram uma situação clara: a população não
conhece o ECA, nem mesmo sabe que tem direito a voto para escolher seus
representantes.
O ECA é uma expécie de 'menino mau' da legislação brasileira. Desconhecido
entre as leis em vigor neste País, ele leva a pecha de garantir a impunidade
ao adolescente 'criminoso'.
No momento em que resiste aos apelos (ou melhor, determinações...) do ECA, a
sociedade brasileira concorda em condenar seus adolescentes 'infratores' ao
inferno da Febem, o que equivale à pena de morte a curto ou médio prazo,
mesmo que o crime tenha sido apenas roubar um pão para comer. Não me refiro
apenas à morte física. Pieguice a parte, gostaria de perguntar aos
defensores da Febem se Chico Buarque mereceria ter sido torrado ou
decapitado dentro de uma unidade da Febem por ter roubado um carro em sua
adolescência. Provavelmente a resposta seria não, talvez por ele ter olhos
verdes e ser de 'boa família'. Família que, certamente, contrataria um
advogado para tirá-lo da Febem. Foi isso mesmo que um juiz da Infância e
Juventude, aliás poeta, disse um dia na minha frente: 'Quem pode pagar
advogado consegue tirar seu filho de lá'.
Nada mais lógico: só fica dentro da Febem quem não tiver família, quem tiver
sido abandonado por ela ou aquele cuja família não tiver recursos para pagar
advogado. Basta ler os artigos 103 até 125 do ECA, clicando neste link. Pois
nenhuma das unidades da Febem oferece o que a lei exige, além de que muitos
adolescentes são presos sem flagrante de ato infracional e muito menos por
cometer grave ameaça ou violência à pessoa.
Ora ora, mas que chatice ter que ficar ruminando artigos da legislação!... É
o preço que paga quem quiser mudar essa situação vergonhosa que suja a
reputação do País no exterior, o que não é bem o X da questão, pois essa
reputação é reabilitada pela excelente performance de um presidente
engomadinho e poliglota, cujo sorriso estampado desmente qualquer horror que
possa ser concebido em terra tupiniquim.
O X da questão não é a repercussão dessa vergonha internacional que é a
Febem, mas é o futuro do próprio País, onde a maior causa de mortes entre
adolescentes é a violência. Dentro das escolas públicas, principalmente na
periferia das grandes cidades, o clima é de medo e desânimo, inclusive por
falta de horizontes. O desconhecimento da lei e a falta de uma filosofia da
educação na rede pública permitiram espalhar entre os alunos a idéia de que
eles não têm futuro. É comum ouvir da boca de um jovem brasileiro que ele
não terá chance no mercado de trabalho e que o futuro é sombrio. Esse mesmo
adolescente anda repetindo, de forma preocupante, que a causa do aumento da
violência na sociedade é o ECA, que permite a impunidade dos 'infratores'
menores de idade. Tudo isto é muito triste, pois mostra como falta
orientação aos jovens, a ponto de assumirem a culpa de uma situação que não
foi criada por eles e é perpetuada por infratores maiores de idade.
Infratores esses que não se vêem como tais, pois 'pegaram o bonde andando' e
não compreendem que omissão também é crime.
Por isto, acredito que o começo da implantação do ECA, uma lei que já entrou
na 'adolescência', parte do fechamento da Febem, essa instituição
MONSTRUOSA, INJUSTA e ILEGAL. Pronto, só repetindo isso exaustivamente
liberto-me temporariamente do horror de saber que existem, neste País,
campos de concentração onde crianças e adolescentes dormem amontoados em
colchões jogados no chão de banheiros e são torturados sistematicamente, de
várias formas.
A solução não é difícil, basta seguir a lei. O atendimento dos direitos da
criança e do adolescente precisa ser municipalizado (Art. 88 do ECA),
portanto nada de um garoto de Presidente Prudente vir 'cumprir pena' em São
Paulo. Vamos agora esperar que Dona Marta resolva sem demora assumir suas
responsabilidades, fazendo convênio com o TRE e colocando sua assessoria de
imprensa a serviço da divulgação do novo processo de eleição dos Conselhos
Tutelares em São Paulo. A população precisa saber que tem o direito de
candidatar-se e, principalmente, de votar. Ao contrário do que já ouvi
alguém dizer, o Conselheiro Tutelar não é 'um cara bonzinho que gosta de
criancinhas ou trabalha em creche'. Ele é um defensor da lei, portanto,
precisa conhecê-la bem e zelar pelo seu cumprimento.
Ah! Quanto a se fazer modificações no ECA, elas são necessárias, sim, como
ocorre com toda lei. Pode-se começar pelo Art. 135, que garante prisão
especial ao Conselheiro Tutelar, em caso de crime comum...
Giulia Pierro
www.educaforum@webamigos.net
SOBRA DINHEIRO, FALTA VERGONHA
Tanto no estado como na prefeitura sobra muito dinheiro para educação. No estado o governador anunciou que vai distribuir 390 milhões entre os professores. Até 5 mil será a 'caixinha' que dará para os professores. Isso depois do 13o. pela gorjeta dá para avaliar quanto ganha esse pessoal que chora miséria. O pessoal concursado, os felizes IMEXÍVEIS.
Na prefeitura sobrou 350 milhões que não pode ser gasto o ano que vem. Tem que ser distribuído este ano. Ano que vem ano novo, verba nova. Nas muitas propagandas de educação em horário nobre são gastos outras centenas de milhões. Propaganda enganosa, diga-se de passagem.
Na medida que sobra dinheiro somem as vagas nas escolas; superlotam-se classes. A qualidade do ensino diminui na medida que aumentam os salários e os benefícios aos professores. Cursos de reciclagem, um atrás do outro. Projetos aos montes financiados com o dinheiro do contribuinte. É uma festa...
A bem da verdade, a gente não generaliza; tem sempre a exceção que merece o salário e a caixinha de cinco mil, além do 13o. no fim do ano. Só que é exceção mesmo...como exceção não faz a regra, a regra faz o ensino público uma porcaria.
A prefeita de São Paulo teve um rasgo de lucidez. Acordou do delírio que o poder provoca e resolveu mudar a lei orgânica do município. Quer gastar com a educação 25% o que é mais que o suficiente para manter uma escola municipal de primeiro mundo. É só fiscalizar. É só querer.
Se ela gastou 17% pôde fazer propaganda milionária, melhorar a merenda que foi terceirizada sem licitação (sem licitação é suspeita de preços salgados). Deu verbas fantásticas para as NAES doarem material escolar para todas as EMEFs em pleno fim de ano. Fez mil e um projetos. Contratou 5850 professores. Os emergências que são os de creches ela dará verba extra para o tal de 'difícil acesso'. Aliás, esses 5850 professores estão sem vaga porque existe a vaga de fato mas não de direito: os professores estão comissionados por aí. Ela terá de arrumar um jeito de colocar esses 5850 nas vagas que não existe. E arrumará.
Tem tudo, muita verba só não temos vagas nas escola e nem ensino de qualidade.
Como a grana é alta, o vereador Carlos Gianazzi ex-diretor de escola saiu-se com um projeto tenebroso. A prefeitura deverá financiar faculdade para os professores que só tem o equivalente ao antigo colegial. Ganham bem, trabalham pouco e agora teremos que bancar a faculdade deles? E o pior, do jeito que vai essa turma é bem capaz de fazer a faculdade no horário que deveriam estar dando aula. Nos cursos de reciclagem é assim...
Prefeita, prefeita olha as eleições do ano que vem...
São Paulo, 29 de outubro de 2001
Cremilda Estella Teixeira
ESTAMOS PASMOS!
Estamos pasmos com as últimas notícias da mídia: a Prefeitura de São Paulo investiu, até setembro, apenas 16,6% das verbas destinadas à manutenção e desenvolvimento do ensino para este ano, contra os 30% exigidos pela Lei Orgânica do Município e, ainda por cima, deixou de aplicar, até agosto, 132 milhões do Fundef no Ensino Fundamental. Apenas para se ter uma idéia, com esse dinheiro do Fundef daria para construir 130 escolas, acabando de vez com o problema da falta de vagas. Como se não bastasse, a Prefeitura encaminhou um projeto de lei para reduzir a aplicação das verbas destinadas ao ensino de 30% para 25%, projeto do ex-prefeito Celso Pitta que não vingou porque os pais de alunos ameaçaram cada vereador que votasse a favor de divulgar seu nome em todas as escolas.
O que é isso, dona Marta? Não estamos acreditando nesta situação, nós que lembramos com saudade da última administração municipal, quando até os alunos do noturno recebiam jantar antes de entrar para as aulas. Esperamos que o PT tenha coerência e olhe para trás, seguindo um modelo que elevou a Escola Municipal de Ensino Fundamental e Educação Infantil para níveis de primeiro mundo. Saiba que nossos filhos estudaram nela, Dona Marta!
Os pais do EducaFórum estão de olho e só esperam números oficiais para entrarem com representação no Ministério Público, se houver necessidade, como fizeram com respeito às administrações anteriores. Mas fazemos votos de que a Prefeitura resolva este impasse, fazendo da educação sua prioridade, como é de se esperar.
A luta do EducaFórum pela aplicação integral e correta das verbas destinadas à Manutenção e Desenvolvimento do Ensino data de 1993 e vai continuar até que o Estado e o Município de São Paulo aplicarem cada centavo nas salas de aula, de acordo com a legislação, sem utilizar subterfúgios como o desvio de recursos para pagamento de aposentadorias, que foi a piada do século passado. Ou continuará sendo a piada do milênio?
Giulia Pierrô
educaforum@webamigos.net
PITÁGORAS NADA SABIA?
Toda vez que aparece defunto rico e famoso, aparece urubu rico e famoso querendo pegar carona na carniça.
A Prefeita de São Paulo, toda arrogante exigiu do governador uma atitude em relação à morte do Prefeito do PT, como se ela não tivesse nada a ver com isso. Pitágoras disse que se educarmos os jovens, não precisaríamos punir os adultos. Numa cidade onde temos 200.000 alunos fora da escola, temos 60.000 crianças passando fome porque suas mães não têm onde deixá-las para poder trabalhar. Falta creche. Com fome e sem escola, alguém duvida que parte dessa turma tenha tudo para ser um seqüestrador assassino amanhã?
As escolas e creches municipais de São Paulo fecham turnos. A prefeita tem moral para exigir algo do governador?
Crianças e adolescentes estão sendo expulsos das escolas. Vítimas da intolerância. Os inteligentes e os rebeldes também não ficam nas escolas. Só que esses rebeldes e difíceis, que a escola expulsa, vão ser rebeldes inteligentes e líderes no mundo do crime.
Enquanto os agentes penitenciários arrebentavam no pau o Fernando Dutra Pinto, nascia mais centenas dele nas favelas e periferia. A polícia prende um e a miséria fabrica cem.
Educação é fundamental. Esperança também. Tirando isso do povo, a violência toma conta de tudo.
Por isso, a arrogância da Prefeita de São Paulo é descabida e também ridícula sua exigência.
Enquanto houver falta de vagas em escolas e creches. Enquanto escola expulsar aluno rebelde e difícil, teremos violência ou acreditaremos que só olho azul e arrogância resolve e que Pitágoras nada sabia.
Cremilda Estella Teixeira
NAPA - NÚCLEO DE APOIO A PAIS E ALUNOS
O BRASIL É CAMPEÃO! QUE PENA...
O governador de São Paulo gastou a 'bagatela' de 370 milhões com bônus para os professores da rede estadual do ensino. Cinco mil reais para cada um de 'gorjeta'.
A UNESCO deu ao mesmo tempo o resultado da sua pesquisa: o Brasil é campeão mundial em reprovação de aluno e evasão. Entre 15 países da América Latina outra taça: o nível de ensino é o pior. Quer dizer que os evadidos, todos sabem, são empurrados direto para a FEBEM. No ano de 2001 tivemos outro record vergonhoso, o número de internos na FEBEM aumentou em 25%, o maior aumento da sua historia. Só diminuiu a idade dos infelizes que estão nas penitenciárias. A maioria não completou 19 anos, acaba completando 18 anos e vai em cana. Tem gente que acha suave demais e quer que os rebeldes na prisão fiquem 16 horas por dia na solitária. Cela imunda, promiscuidade e doença num cubículo, amontoados como insetos e acham pouco.
O sobrevivente que consegue chegar aos 18 anos em liberdade e que conseguiu terminar o ensino médio, também não tem o que comemorar. Aprendeu tão pouco que é impossível competir no mercado de trabalho com quem saiu de escola particular.
As escolas púbicas que deveriam ser um santuário do saber, viraram um antro. Na escola pública os alunos perdem o referencial de honestidade que levam de casa.
Denunciar arbitrariedades, abusos e desmandos é perigoso. Pedir justiça e denunciar maus exemplos é expor nossos filhos a mais cruel perseguição.
O professor tem 365 motivos para faltar e ter seu dia abonado. Feriado no meio da semana compromete todas as aulas de segunda a sexta. Semana que comemora dia do professor, dia da criança, dia do funcionário. O professor pode faltar por motivo de doença na família e como adoece família de professora...
Seria redundância desfiar os 365 motivos. Os pais e alunos os sabem de cor.
Aí, vem o governador de São Paulo e resolve premiar a incapacidade. Incentivar a corrupção. Faz isso de maneira cruel: com o dinheiro suado do trabalhador.
Quando se trata de prejudicar os pais e alunos o governador e a prefeita esquecem as diferenças partidárias e se dão as mãos em perfeita harmonia. Os dois negam que existam em São Paulo 300.000 (trezentas mil) crianças e adolescentes sem escola.
Tanto o estado como a prefeitura se baseiam na lista de demanda feita nas escolas. As listas das escolas não dão nem a mais pálida idéia da situação. Os pais não têm acesso às escolas. Os portões estão sempre trancados com um porteiro zeloso. Eles cumprem as ordens da direção e dispensam os pais ali mesmo. Quem consegue a proeza e chega até a secretaria não consegue convencer a funcionária a colocar seu nome na lista.
Será que se o governador e a prefeita tivessem seus filhos estudando em escola pública eles premiariam os professores com cinco mil reais cada? O estado e a prefeitura têm uma escola que deseduca nossos filhos. Em miseria moral e corrupção o Brasil é campeão! Que pena...
São Paulo, 13 de fevereiro de 2002-02-22
NAPA - Núcleo de Apoio a Pais e Alunos
Cremilda Estella Teixeira
Rua Francisco de Proença 11, - Vila Inah
Telefone 3742 3023
...'A teoria que adotamos para proceder a AVALIAÇÃO é o aspecto mais sério e revelador que existe dentro do ensino. É analisando como agimos perante a esta e os parâmetros que temos para aplica-la que vamos demonstrar toda nossa filosofia do Saber e que postura esperamos de quem ensina e de quem estuda.
A avaliação hoje adotada pelo ensino brasileiro, baseada em notas por médias anuais, para passar de ano é outro absurdo que precisa ser revisto. Ninguém deve ser avaliado por notas e, muito menos, estudar para passar de ano.
Em todo caso, parto da premissa que: Repetência não é a forma correta de recuperar um aluno e de sanar seus problemas de aprendizado! - está claro que nada garante que, no próximo ano o aluno estará apto a enfrentar outra série, após ter repetido com os mesmos métodos, os conteúdos não assimilados - (e os assimilados também, pobrezinho!)
Repetência é uma enorme frustração e desrespeito ao ser humano em formação, cria um estigma sobre este, acaba com a sua auto-estima, afasta-o de colegas com os quais mantém uma relação de amizade, faz com que seja socialmente e no âmbito familiar julgado negativamente, trazendo, a meu ver, prejuízos maiores que ganhos.
A capacidade de apreender conceitos, não é igual em todos os indivíduos, e não ocorre no tempo previsto por 'séries', tendo uma porção de fatores psicológicos, culturais e de afeto interdependentes que, geralmente, não são levadas em consideração por quem se arrisca a avaliar alunos.
A apreensão ou não destes conceitos, a escola julga fundamental, para a continuidade dos estudos na mesma classe mas, no fundo, não o são! Não existe esta interdependência de séries nas matérias e não existe conceito que não possa ser recuperado a seu tempo! E existem conceitos que, por n razões, podem não ser absorvidos, mesmo que o aluno repita 10 anos a mesma série e, nem por isso, ele deixará de se formar!
A proposta de se colocar os alunos ditos 'especiais' juntamente com as crianças das classes de ensino regular talvez faça com que o mundo da escola perceba mais claramente estes limites de cada um e veja, finalmente, que não é necessário que todos dominem da mesma maneira os conteúdos para mante-los em uma mesma sala de aula e série, compreendendo que os objetivos a serem alcançados devem ser individuais e, não, na medida dos curriculums. É mais importante mante-los em séries em que tenham idades iguais e, portanto, interesses gerais parecidos e não, nível de aproveitamento escolar, - que não é conhecimento - médios.
Toda visão da escola e do aluno mudaria no momento em que o professor não pudesse mais jogar com a possibilidade de avaliar os alunos visando oficializar os fracassos, chegando ao cúmulo de repeti-lo de ano. Ele teria que investir o máximo neste ser humano para que este pudesse acompanhar, dentro de suas possibilidades máximas, o resto da turma.
Este é o verdadeiro papel do mestre: fazer com que a potencialidade existente em cada um seja desenvolvida ao máximo dentro das propostas da escola visando descobrir aptidões a fim de valoriza-las! O resto é metodologia furada, é conteúdo vazio, é burocracia, é inútil e não serve para acrescer nada à vida dos seres humanos.
Auto-estima é um fator muito importante que deve ser preservado e, nenhum professor tem o direito de tirá-la de um aluno, só por que este não decorou sua matéria ou não cumpriu suas expectativas de como deveria se comportar em classe...' - Vera Vaz, A Escola do Saber - Capítulo 10 - 1996
Este é um trecho de meu livro sobre a Educação, 'A ESCOLA DO SABER'. É uma visão de mãe, de fora para dentro da escola e está publicado no site www.verazvaz.hpg.com.br
Espero a visita e o comentário de vocês
Vera Vaz
A escola estadual Barão de Queiroz vendia uniformes com modelo diferente do ano passado, cobrando preços exorbitantes. Os pais denunciaram para a imprensa e deram entrevista. É proibido comércio dentro das escolas.É proibido por lei exigir uniforme em escola pública. Só que o "proibido" é tudo dos portões da escola para fora. As escolas públicas não passam de feudos nos quais a lei quem faz é a diretora. É um jogo de azar: se a diretora for bom caráter tudo ocorre mais ou menos bem, caso contrário ela pode fazer o que quiser que não temos para quem reclamar.
É a impunidade correndo solta. Os pais que ousarem denunciar têm suas vidas e a vida de seus filhos trasformadas num verdadeiro inferno. Nesse caso uma entidade em defesa dos direitos cobrou da Secretaria e a resposta dela é que teria mandado um ofício para a escola. A escola responde e pronto. É o máximo que acontece. O ano que vem ela faz isso e mais outras e tudo bem. Os pais não denunciarão mais, descrentes da justiça. Assim vamos formando cidadãos que aprendem a conviver num mar de lama, aumentando a crise moral em que todos estamos mergulhados.
São Paulo, 24 de fevereiro de 2002
NAPA - Núcleo de Apoio a Pais e Alunos
Cremilda Estella Teixeira
Rua Francisco de Proença 11, - Vila Inah
Telefone 3742 3023
DIREITO DE RESPOSTA
Todo cidadão tem direito de resposta caso se sinta ofendido. Nós, pais e alunos, temos sido ofendidos pelos maus educadores desde sempre sem podermos nos defender. Lemos e ouvimos as piores agressões sem que tenhamos um órgão a que possamos recorrer. Isso faz com que a educação se transforme num tenebroso jogo de azar. É tudo uma questão de sorte nosso filhos serem alunos de algum professor razoavelmente bom. Ninguém cobra nada e se o ensino é de péssima qualidade a culpa é dos pais e alunos.
A escola recebe direto na conta da A.P.M. 28 verbas diferentes. Em média 20 mil reais por ano só para comprar material pedagógico e o que vemos são escolas paupérrimas e vendendo de uniforme a carteirinhas a preços escorchantes para arrecadar dinheiro e cobrando taxas para matrícula e outras ilegalidades. Professores mau humorados, agressivos e arrogantes na sua maioria esmagadora.
Recebemos um jornal que dizia ser de 15.000 exemplares a sua distribuição mensal. O jornal “Planeta News” foi recebido na NAE 10 (ex Delegacia do Ensino 10). Metade da página com um texto ridículo: Diga não a violência nas escolas. A matéria assinada pelo presidente da C.P.P. Prof. Palmeira Mennucci. Dava conselhos tão esdrúxulos aos pais e os responsabilizava do fracasso da escola.
Como o jornal não tinha nem endereço e nem jornalista que assinasse o expediente ligamos para o NAE 10. O responsável só disse que não tinha nada a ver. Se um jornal com uma matéria estúpida é distribuída lá ele não tem nenhuma responsabilidade? Foi tão displicente e alegar que na escola municipal está tudo tão bom... Diante da nossa indignação ele recomendou que fizéssemos a denúncia por escrito. A gente escreve, ele responde e pronto. Fica tudo como antes. Como antes, não; ficou do jeito que nunca imaginávamos. O ensino municipal piorou. Aumentou o desrespeito ao munícipe na mesma proporção que aumentou o número dos professores. Na era da informática é um dado muito fácil conferir. Recebemos informação que tem três vezes mais professor agora do que no tempo do Maluf. É uma festa. Para ele o dirigente da NAE 10 e o professorado pode estar tudo tão bom, para nós que pagamos a conta está tudo péssimo.
Lembramos ao presidente do Centro do Professorado Paulista que nós os pais somos os maiores interessados que nossos filhos se tornem homens de bem. No monte de conselhos infantis que ele deu está um impossível de obedecer. Não podemos dizer que o melhor amigo do nosso filho na escola é o professor. Temos visto na prática que nem sempre é assim. Se ensinarmos nossos filhos a dizer sim sempre, estaremos formando um carneirinho e não um cidadão. Que nossos filhos devem respeitar todos, desde o colega até o diretor, é óbvio. Daí a aceitar tudo passivamente porque professor é perfeito, seria uma deslavada mentira. Assim não ajudaremos em nada nossos filhos a ser sujeitos de direitos e deveres e nem a diminuir a violência das escolas.
São Paulo, 26 de março de 2002.
NAPA – NÚCLEO DE APOIO A PAIS E ALUNOS
Cremilda Estella Teixeira
Rua Francisco de Proença n.º 11 – Vila Inah
Telefone: 3742-3023
OS EXTERMINADORES DO FUTURO
Enquanto o governador e a prefeita de São Paulo disputam qual é o pior na área de educação, nossos jovens são enviados para a FEBEM e as Penitenciárias cada vez mais cedo. A expectativa de vida de uma criança que nasce nas favelas e periferia é de 19 anos.
O Deputado José Aníbal declara recentemente para a imprensa que temos 97% de alunos matriculados. É possível que no papel seja isso. Papel aceita tudo, o governo também. Para contestar os números precisa querer investigar, mexer no vespeiro. A direção das escolas apresentam o número e o governo envia as verbas e pronto! São os cegos que não querem ver. E dinheiro de todos, o contribuinte paga e não cobra.
Nossos jovens perdem nas escolas o referencial que levam de casa. Os que se rebelam são expulsos da escola para a FEBEM e da FEBEM para a penitenciária. As vagas comuns dos cemitérios enterram a esperança do povo brasileiro. Enterra o nosso futuro.
O golpe de misericórdia é dado pelo governador de São Paulo. A polícia militar pode adentrar na sala de aula e revistar aluno suspeito. Se o professor tivesse o mínimo de limites e se tivéssemos um órgão que investigasse e punisse violência cometida por mau profissional do ensino, ainda assim o lugar de polícia militar não é na escola – é na rua, onde se rouba um carro por minuto. No entorno da escola, nunca na sala de aula.
Vai ser um tal de professor chamar a PM para gerenciar seus conflitos na sala de aula que não vai acabar mais, ou pode acabar numa tragédia atrás da outra. Aluno se revoltando para defender colega injustiçado.
O bom professor não precisa de polícia, ele domina a classe com energia e amor. Ministra uma boa aula e a indisciplina é ausente, mas são a minoria. A maioria responsabiliza o aluno, a família e o governo pelo seu fracasso, dá uma aula medíocre e é agressivo, cruel e desrespeitador.
O policial é treinado para confronto com bandido. Polícia tem que ganhar do bandido, se perder perde toda a sociedade. O confronto entre o mau educador e o aluno teria que ser resolvido com a justiça. Querem a paz mas não querem fazer justiça. Na esmagadora maioria o conflito entre o aluno e professor tem origem numa estória anterior, onde o professor humilhou e deu péssimos exemplos. Aí vem o governador e autoriza a adentrar a sala de aula para “revistas” aluno?
Esse programa de combate à violência nas escolas é de uma insanidade que parece programa de Exterminadores do Futuro.
São Paulo, 08 de Maio de 2002.
Cremilda Estella Teixeira
NAPA – NÚCLEO DE APOIO A PAIS E ALUNOS
Rua Francisco de Proença n.º 11 – Vila Inah
Telefone: 3742-3023
MATAR UMA CRIANÇA
Maria Alice sempre dizia, nos bastidores da escola onde trabalhava: 'O problema do ensino público é o corporativismo dos professores'. Ela era diretora de uma escola municipal e estava para se aposentar. Também dizia que depois, sim, ela lutaria pela educação. Até então, poderia sofrer perseguições e represálias.
Ter idéias revolucionárias e repeti-las em círculo fechado é fácil. Difícil é enfrentar as feras que mantêm o status quo. Maria Alice aposentou-se e simplesmente...sumiu do mapa. Indiferença? Covardia? Descaso? Impossível saber, pois Maria Alice não está mais aqui para esclarecer.
Outra Maria, ousada, eloqüente, gloriosa, Maria da Glória, surgiu do meio do marasmo de um professorado inerte e corporativista para declarar, em alto e bom som, o que Maria Alice só teve coragem de sussurrar. A voz de Maria da Glória não vem de nenhuma Capital deste imenso País, vem da pequena Leopoldina, em Minas Gerais. Mas, desde Tiradentes até Milton Nascimento, vozes mineiras costumam deixar marcas profundas.
Eis o que Maria da Glória me escreveu:
Oi, Giulia,
Envio para você minha mensagem publicada hoje (dia 28/05) no Jornal "O Tempo".
Um abraço, Glória
ÁGUA SANITÁRIA NOS ALUNOS
O Jornal do Brasil noticiou sábado, 25 de maio (Pág.10, seção Brasil) que, em Ouro Verde, interior de São Paulo, uma professora com o cargo de Coordenadora Pedagógica castigou três alunos da escola em que trabalha, obrigando-os a lavar a boca com água sanitária. Os meninos são da sexta série e o 'crime' foi dizer alguns palavrões.
Relata o jornal que a diretora, diante da revolta da população, suspendeu a professora por 15 dias, mas, dizendo-se abalada emocionalmente, a professora pediu mais um mês de licença. Logicamente, nós, contribuintes, é que pagamos para ela ficar sem trabalhar, mesmo cometendo um crime (CP, Art. 129. "Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem." Pena: detenção de 3 meses a um ano).
Esse episódio fez-me lembrar certa época, numa escola pública (é lógico) em que eu lecionava e uma colega nossa comentava, em uma roda de professoras, que havia passado no concurso e havia sido chamada para trabalhar num banco privado. Ficamos encantadas quando disse que o salário era muito mais do que o que ganhava como professora. Quando perguntamos quando iniciaria no novo emprego, ela nos deu uma resposta que nunca esqueci: ' Eu não vou aceitar, vou continuar como professora, porque no banco eu posso ser mandada embora e aqui, na escola, eu posso até matar uma criança que nada me acontece.'
Está aí perfeitamente explicado porque nossos alunos de escola pública não têm rendimento escolar e porque professores entram em greve todos os anos, voltam quando querem e como querem. 'Nada me acontece', dizem eles.
Estão certos. A culpa é dos homens públicos deste país que não têm coragem nem competência para enfrentar os sindicatos e o corporativismo no serviço público.
Maria da Glória Costa Reis - Professora - Leopoldina, MG
A afirmação da Maria Alice sobre o corporativismo dos professores é a coisa mais certa que já ouvi nas últimas décadas. Quanto à sua hipocrisia, é a coisa mais comum de se ver. A classe docente deste país prefere "matar uma criança" do que arriscar qualquer coisa para salvá-la. Aliás, esse crime não exige o uso de armas materiais: a maior violência é a que mata a vocação, a esperança, a alegria de viver.
Mas nem tudo está perdido: apesar das enormes falhas da nossa política e do nosso sistema educacional, que há décadas se arrasta no marasmo, nós pais de alunos temos uma certeza: se cada um de nossos filhos tivesse uma professora como Maria da Glória, os maiores obstáculos seriam removidos. Antes de qualquer conteúdo, eles aprenderiam o que significam honestidade, integridade, coragem, justiça, consciência social. Precisa mais?
Discordo de Maria da Glória apenas num ponto: os homens públicos deste País não enfrentam os sindicatos, pois muitos políticos surgem e se projetam justamente na vida sindical. A solução não vai vir das autoridades, mas da mudança de mentalidade da população, provocada pela postura de pessoas como a própria Maria da Glória. A mudança de comportamento e de valores de cada ser humano tem o poder de modificar o sistema mais corrupto. Infelizmente, ainda temos milhares de Marias Alice para uma única Maria da Glória. Não faz mal: para dissipar as trevas, basta acender uma luz.
Giulia Pierro
www.webamigos.net/educaforum
SERÁ QUE ALICE ACORDOU?
Palmas para a SEE e para o Secretário Estadual de Educação Prof. Chalita. Nada melhor do que poder aplaudir. Vindo de um secretário ceguinho de tudo e que foi ridículo a ponto de afirmar que professor é uma criatura iluminada, essa última medida foi genial e corajosa.
Ele quer que o aluno seja avaliado todo ano pelo SARESP (VUNESP). A mesma prova para todos. A escola onde os alunos forem mal, eles vão repetir de ano, mas o professor irá também para um curso de recapacitação. Nada mais justo. Se a mesma matéria é compreendida por uma classe e outra classe não entendeu, algo está errado com o professor, não?
O jornal Diário de S. Paulo publica dia 18 pp. um texto do presidente da APEOESP “esperneando”. Os professores não aceitam serem avaliados. Ele alega que avaliar aluno é tarefa do professor e não de órgão externo. Claro que é, ocorre que se o professor está aprovando aluno sem saber é que não está avaliando. Que venha o SARESP anual.
A APEOESP afirma que a avaliação do professor é para corrigir as dificuldades do aluno no decorrer do ano. Isso não ocorre. Tanto é que alunos terminam o primeiro grau sem estar alfabetizados. São cuspidos de uma série para outra irresponsavelmente e os professores jogam a responsabilidade nos pais dos alunos na progressão continuada e no governo.
Só vai ser recapacitado o professor cuja classe tiver um mal desempenho. Acaba com a folia de capacitar todo mundo. Acaba com a festa
Os cursos de capacitação para todos ocorrem aos montes, ficam caros e tiram professor de sala de aula sem dar nenhum retorno. Capacitando só o com mal desempenho é uma forma de “puxar a orelha” dos desinteressados. Tirar a máscara.
A APEOESP contestando o exame do SARESP anual reivindica classes com no mínimo 35 alunos. Nós queremos no máximo 35. Acontece que matriculados são 50 e no fim do ano não tem nem 20. Como fantasma não faz prova, vai ficar muito evidente os alunos fantasmas. Até sugerimos o seguinte: classe que começa o ano com 50 alunos e termina com menos de 35, a direção será responsabilizada e terá que explicar onde estão os 15 “desistentes”.
Salário é outra questão abordada pela APEOESP. Alega que professor precisa ter salário digno e redução de jornada de trabalho para evitar que dê aula em 3 escolas. Escola pública paga o dobro do que escola particular. O que faz um professor ter 3 empregos ao mesmo tempo é que na escola pública ele não é cobrado e mais falta que dá aula. Fica fácil ter 3 empregos. A ganância ajuda também.
O texto do presidente da APEOESP termina com a frase de Rubem Alves: “há professores que amam o vôo dos seus alunos. Há esperança”. Claro que há! Bons professores e esperança. Ocorre que professor é um ser humano como outro qualquer. Precisa ser avaliado para separar o bom do que atrapalha e não tem interesse que a escola pública ande para frente. Claro para nós e as autoridades de educação dormiam pensando estar no País das Maravilhas. Será que a Alice acordou?
São Paulo, 19 de Novembro de 2002.
NAPA – Núcleo de Apoio a Pais e Alunos
Cremilda Estella Teixeira
Rua Salomão Weinberg, 134 – Jardim Colombo
Cep: 05628-030 – Fone: 3742.3023
ESCOLAS PÚBLICAS «DE ELITE» EXPULSAM ALUNOS ILEGALMENTE!
Algumas escolas da rede estadual de São Paulo, consideradas entre as "melhores" pela Secretaria da Educação, têm o hábito de expulsar alunos, seja através de decisão do Conselho de Escola, seja negando aos pais a rematrícula dos filhos. Isto aconteceu este ano na EE Ennio Voss e na EE Brasílio Machado. Em 1999, a EE Andronico de Mello tentou a expulsão de quatro alunos via Conselho de Escola, mas o EducaFórum foi avisado a tempo e conseguiu evitar a manobra ilegal.
Não permita que seu filho seja expulso da escola! Maus profissionais da educação costumam chamar alunos inteligentes e questionadores de "laranjas podres que contaminam as outras" e fazem de tudo para expulsá-los da escola, aconselhando sua transferência, "para o bem deles próprios".
Mas saiba: nenhum Conselho de Escola pode promover a expulsão ou a transferência de qualquer aluno, pois, mesmo sendo soberano em suas decisões, o CE não pode contrariar a legislação! Existe outra situação igualmente grave: é quando os pais se dirigem à escola para assinar a rematrícula do filho e a escola se nega a aceitar. Isto também é ilegal! O direito à permanência na escola é igual para todos os alunos.
Ao não confirmar a matrícula do aluno para o ano seguinte, o Conselho de Escola ou o Diretor estão infringindo o ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente. Veja o Art. 54 - § 2º:
«O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público ou sua oferta irregular importa responsabilidade da autoridade competente.»
Além disso, os pais também podem ser responsabilizados se não efetuarem a rematrícula do filho, conforme o Art. 55 do ECA:
«Os pais ou responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino.»
Veja, portanto, que seu filho tem direito de ser rematriculado na escola onde estuda. Se a rematrícula for negada, a escola pode ser processada. E tem mais: se você desistir da rematrícula do seu filho, quem pode ser processado é você!
Além da questão legal, existe uma questão de justiça social: nossa sociedade pensa que pode se livrar de "maus elementos" "varrendo pessoas para debaixo do tapete". Em primeiro lugar, pessoas consideradas "maus elementos" têm muitas vezes inteligência superior e sua discriminação na escola as empurra para a marginalidade e para a Febem, que é a maior escola do crime. Até quando vamos deixar que os melhores cérebros deste País migrem para o crime organizado? Então, de olho nas escolas que expulsam os alunos! Se seu filho foi vítima de expulsão, informe o EducaFórum.
...'O salário não pode ser usado como desculpa para o mau desempenho de nenhuma profissão, muito menos na área de ensino!!!!!!!!! Caso isso fosse aceitável, deveríamos ter prédios caindo por aí aos milhões (olha quanto ganha um pedreiro!), nos restaurantes comidas com açúcar no lugar de sal, frias, com pedaços de osso ou até pior, com baratas ou com cuspe (da cozinha até o garçon...confiram os salários!), as babás deveriam largar os bebês sozinhos na pracinha, o padeiro... credo... nem imagino como poderia ser a massa do pão que ele acorda todo dia às 5 da manhã pra fazer... (sem três meses de férias! sem sábado e sem domingo!)... Bom, e os enfermeiros então?... com a vida sacrificada que levam... Motoristas de ônibus... de táxi... que stress! Quantas linhas, quanto transito, quanta gente pra levar pra lá e pra cá... quanto medo e insegurança... Quanto ganham?... Ah! deveriam só passar no vermelho, com esse salário aí!... E o lixo?... Os lixeiros deveriam jogar tudo pela rua!... As vendedoras das lojas deveriam se recusar a dobrar as roupas... Os porteiros de prédios deveriam convidar os ladrões pra entrar... E os pequenos agricultores? ... FOME já para todos! E assim o caos estaria instalado em tudo, como está na Educação! E quando reclamássemos diriam os garis: "Fale com o Prefeito! Ele que tem que resolver sobre o lixo! Já viram que o povo não tem educação e suja tudo? E eu que tenho que limpar? Eu não! Mande o povo se educar pra depois me chamar!"... ... E assim todos teriam o seu "culpado" pra apontar, sem perceber que a simples ação deles é que mudaria tudo... Postura e ação de cada um em sua sala de aula muda a Educação em geral!...
Não adianta vir aqui culpar o sistema. É com o professor mesmo que queremos falar e a ele vai a responsabilidade direta de EDUCAR seus alunos. "Reclamem com o Ministro dos Transportes, com a Saúde Pública, com o Ministro da Economia, com o Presidente"... Isso é falar pro vazio, pro nada... Aqui falamos pra quem está em contato direto com as crianças: os diretores e professores das escolas! Portanto, caros professores, que escolheram essa profissão e já sabiam do salário e das condições de trabalho, deixem de usar isso como desculpa para dar aula mal dada ou não dar aula, para não Educar as crianças que têm sob a sua responsabilidade TODOS OS DIAS! Ontem eu soube que uma menina que ficou cega deixou de ter assistência especial por mais de um ano numa escola, porque ninguém avisou a Secretaria da Educação do caso dela! - E bastava um telefonema! Assim que uma professora de verdade se sensibilizou e avisou, as providências foram tomadas! Em outra escola fui informada que a média de faltosos no dia é de 8 ou 9 professores!!!!!!!!!!! Isso é espantoso!!!!!!!!!! - a escola tem 20 professores...) Que escola é essa? Que educadores são esses? Que salário precisariam ganhar pra ter ao menos CORAÇÃO - já que não têm consciência? O que paga a conscientização deles? E como eles conseguem apagar a própria consciência depois de tanta irresponsabilidade? "Escola não é assistência social"... (eu escuto professores dizendo isso...), mas onde, senão na escola, o poder público tem acesso aos problemas da família tão claramente? Como se pretende formar um cidadão sem ampará-lo? "Carcando" conteúdo vestibularesco em cima dele? E se as famílias estão em crise, como a escola pode se furtar a fazer essa ponte? Isso não é uma questão de salário não... para mim é ignorância pura, é não saber ou desprezar o tamanho da influência que uma palavra de Mestre pode ter na vida de muitas "pessoinhas" em formação. Por isso, aqui no Educafórum, professor que tratar mal qualquer ser humano que tenha sob sua responsabilidade (e tratar mal não é ser severo, por favor não confundam isso!) será chamado a responder sim por suas falhas (com educação e diálogo civilizado, mas sem desculpas esfarrapadas pra encobrir seus erros), ganhe quanto ganhar, seja quem for o governador, o prefeito, o secretino ops! o secretário da Educação...
Ainda vai outro post pra não ficar tão longo... (dizem que alguns professores não gostam de ler e não quero correr o risco que eles abandonem o texto pela metade....). Os bons professores que não se ofendam porque não é com eles esse papo, os maus por favor tomem consciência antes de reclamar desta mensagem! (e segura que vem mais por aí...) Há mais de dez anos que repito tudo isso... me animo, desanimo e vejo que nada muda... Até quando?...
Vera Vaz